O cientista político Glenn Diesen observa que a percepção global de que os Estados Unidos e Israel falharam em seus objetivos na guerra contra o Irã é quase universal. Essa percepção é vista como um revés estratégico significativo para os Estados Unidos, que enfrentam agora a incapacidade de reverter ou controlar as consequências dessa derrota. A hegemonia americana, que tradicionalmente apoiava os objetivos de guerra de Israel, é questionada diante desse cenário. Diesen destaca que a situação é crítica, pois os EUA enfrentam possivelmente a maior derrota estratégica de sua história.
O controle do Estreito de Ormuz pelo Irã é um ponto central nessa equação. Com o estreito sob influência iraniana, os Estados Unidos perdem uma alavanca importante no Oriente Médio. O Irã pode agora impor taxas sobre países que aplicam sanções contra ele ou que ameaçam sua segurança, inclusive aqueles que hospedam bases militares americanas. Essa mudança diminui drasticamente a capacidade dos EUA de ditar os termos da política regional.
A entrevista foi transmitida pelo canal Judging Freedom no dia 14 de maio de 2026, com apresentação de Andrew Napolitano. Glenn Diesen, professor de Relações Internacionais, é conhecido por suas análises sobre a geopolítica do poder global e suas implicações para a segurança internacional. Durante a entrevista, ele trouxe à tona questões sobre o poder militar e econômico do Irã, além de suas alianças estratégicas com Rússia e China.
Diesen aponta que, ao contrário das expectativas ocidentais, o arsenal iraniano pode ter se fortalecido desde o início do conflito. A capacidade industrial do Irã, desenvolvida ao longo de anos de preparação, permite que o país mantenha uma produção significativa de armas. Além disso, o apoio de potências como Rússia e China reforça essa capacidade, desafiando ainda mais a hegemonia americana na região.
O professor também critica a abordagem dos líderes europeus, que, embora apoiem Israel em muitas questões, preferiram não se envolver diretamente na guerra contra o Irã. Essa decisão pode ser atribuída à falta de consulta de Trump aos aliados europeus antes de iniciar o conflito, dando a eles a oportunidade de se distanciar da responsabilidade por um conflito que não veem como seu.
Em relação à China, Diesen argumenta que Trump perdeu cartas importantes ao tentar confrontar economicamente o país asiático. A resistência chinesa e sua capacidade de pressionar os Estados Unidos, especialmente em questões de minerais raros, enfraqueceram a posição americana. A tentativa de Trump de buscar concessões da China após a derrota no Irã foi vista como um movimento fraco, sem cartas fortes para jogar.
Sobre a questão de Taiwan, Diesen destaca que a China não está disposta a comprometer sua posição. A política de uma China é vista como um pilar fundamental das relações sino-americanas, e qualquer movimento americano que ameace essa política pode provocar uma resposta firme de Pequim. Assim, enquanto Trump busca concessões comerciais, a questão de Taiwan permanece inegociável.
Por fim, Diesen observa que a estratégia americana de sanções está se esgotando. A insistência de Trump em que Rússia e China imponham sanções a outros países está se tornando contraproducente. Com a China e outras nações optando por ignorar as sanções americanas, o impacto global dessas medidas é reduzido. Assim, a capacidade dos EUA de isolar o Irã ou qualquer outro país está cada vez mais limitada.
As análises de Diesen ressaltam a complexidade da situação geopolítica atual, onde o fracasso das estratégias tradicionais dos EUA levanta questões sobre o futuro da hegemonia americana e o papel das potências emergentes no cenário global.