Lula recupera fôlego nas pesquisas e Planalto acelera novo pacote de medidas sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento público. (Foto: metropoles.com)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu uma sequência de quatro quedas consecutivas em sua aprovação e voltou a respirar nas pesquisas eleitorais a menos de cinco meses do primeiro turno. Segundo o levantamento Genial/Quaest divulgado nesta semana, o petista registra 46% de aprovação contra 49% de desaprovação, uma melhora de três pontos percentuais em relação à sondagem de abril.

O resultado foi celebrado por integrantes do Palácio do Planalto, que atribuem a recuperação ao chamado ‘pacote de bondades’ anunciado nas últimas semanas. A leitura interna é de que as medidas começaram a chegar ao eleitorado após um esforço de reorganização da comunicação governamental, antes diagnosticada como falha na divulgação das ações.

Entre as iniciativas que ganharam tração popular está a revogação da chamada ‘taxa das blusinhas’, formalizada por medida provisória assinada por Lula nos últimos dias. O texto zera o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, política em vigor desde 2024 e que, segundo levantamento da AtlasIntel, era considerada um erro do governo por 62% dos brasileiros.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, destacou que a medida beneficia sobretudo a população de menor renda, que recorre a plataformas estrangeiras para compras de baixo valor. Na semana anterior, o governo já havia lançado o Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação que permite descontos médios de até 65% em dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e Fies.

A repercussão do Desenrola foi expressiva, e segundo a Quaest, 57% dos entrevistados afirmaram conhecer o programa. O Executivo determinou ainda que beneficiários que aderirem à renegociação ficarão impedidos de acessar plataformas de apostas on-line por um ano, medida que casa redução do endividamento com combate à epidemia das bets.

A pesquisa também aponta uma virada na percepção do noticiário sobre o governo. A parcela dos eleitores mais influenciados por notícias positivas subiu nove pontos, alcançando 32%, enquanto a percepção de notícias negativas recuou cinco pontos, para 43%, conforme detalha o portal Metrópoles.

Outro fator apontado pelo levantamento é a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até cinco salários mínimos, cujos efeitos começam a ser percebidos pela população. Houve aumento de quatro pontos percentuais no número de brasileiros que afirmam ter percebido melhora significativa na renda, chegando a 21%.

No campo eleitoral, a disputa segue acirrada e aliados de Lula avaliam que o cenário deve repetir a polarização de 2022. A pesquisa Quaest também testou cenários de segundo turno, com o petista mantendo posição competitiva diante de potenciais adversários da direita, em empates técnicos dentro da margem de erro de dois pontos.

Para reforçar o ritmo de anúncios, o governo assinou ainda uma medida provisória que prevê subsídio de até R$ 0,89 por litro de gasolina, válida por dois meses e com possibilidade de prorrogação, para conter os efeitos das oscilações internacionais sobre os combustíveis. O diesel também será contemplado, com subvenção estimada em R$ 0,35 por litro a partir de 1º de junho, somando-se aos R$ 1,52 já concedidos por litro para o diesel importado e R$ 1,12 para o nacional.

Vinte e seis estados aderiram ao regime extraordinário e passaram a contribuir com R$ 0,60 por litro do combustível importado, em movimento coordenado para blindar o consumidor brasileiro das oscilações internacionais do petróleo. O Executivo também destinou R$ 330 milhões para subsidiar o gás de cozinha, o equivalente a cerca de R$ 11 por botijão, além de zerar PIS e Cofins sobre diesel e biodiesel.

O Planalto prepara agora uma nova etapa do Desenrola, voltada a consumidores adimplentes e trabalhadores informais, com linhas de crédito previstas para o início de junho. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que a taxa de juros prevista será ‘menor que a metade’ da praticada hoje no mercado, e que o governo avalia incluir entregadores de aplicativo em um programa de financiamento para renovação de frota.


Leia também: Lula zera imposto sobre compras de até US$ 50 e reverte a taxa das blusinhas para reconquistar eleitor pobre


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