A Marcha das Bandeiras, evento anual que celebra a captura de Jerusalém Oriental por Israel em 1967, voltou a ser palco de ataques, intimidação e retórica abertamente racista contra a população palestina da Cidade Velha.
Conforme reportou o Al Jazeera, a edição deste ano foi marcada por agressões de extremistas israelenses a palestinos no Bairro Cristão. Houve vandalizações de propriedades e fechamento forçado de lojas sob ordens da própria polícia israelense.
Ultranacionalistas israelenses, muitos deles adolescentes, percorreram as ruelas da Cidade Velha entoando slogans como ‘Queime sua aldeia’ e ‘Morte aos árabes’. A polícia israelense prendeu 13 pessoas — entre judeus e palestinos — mas foi amplamente criticada por sua passividade diante dos ataques.
Uri Weltmann, diretor nacional de campo da organização Standing Together — que reúne ativistas judeus e palestinos pela paz —, expressou alarme com a escalada da violência e com o tom cada vez mais aberto do ódio étnico exibido durante o evento. Para Weltmann, a marcha deixou de ser uma celebração cívica para se tornar uma demonstração de força sobre a população palestina que ainda habita Jerusalém Oriental.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, participou ativamente do evento, liderando um grupo de israelenses no complexo da Mesquita de Al-Aqsa e exibindo a bandeira israelense em frente ao Domo da Rocha. A Jordânia, que detém a custódia administrativa dos locais sagrados islâmicos em Jerusalém Oriental, condenou a ação como uma violação flagrante do direito internacional e das normas históricas que regem o acesso ao local.
Aviv Tatarsky, pesquisador do grupo ativista Ir Amim, que monitora políticas israelenses em Jerusalém, critica a narrativa que trata figuras como Ben-Gvir como exceções dentro da política israelense. Para Tatarsky, esses atores representam uma faceta crescente e cada vez mais hegemônica da sociedade israelense, que prioriza abertamente a remoção dos palestinos de sua própria terra.
Eram Tzidkiyahu, pesquisador especializado em relações judaico-árabes, reforça essa leitura ao observar que a marcha é, em sua essência, uma afirmação de dominação territorial sobre os palestinos. O evento atrai anualmente milhares de participantes vindos de Israel e da Cisjordânia ocupada, com apoio logístico e político do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de seu partido Likud.
O crescimento da violência e da retórica anti-palestina se intensificou desde o ataque liderado pelo Hamas a Israel em outubro de 2023, que desencadeou uma guerra devastadora em Gaza. Observadores internacionais alertam que a Marcha das Bandeiras se consolidou como símbolo do avanço do ultranacionalismo israelense, alimentado por décadas de ocupação e por uma estrutura política que normaliza a desumanização dos palestinos como instrumento de coesão eleitoral.
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