Xi Jinping alerta Trump: Taiwan pode empurrar China e EUA para situação ‘muito perigosa

O presidente chinês Xi Jinping e o ex-presidente dos EUA Donald Trump em um evento. (Foto: actualidad.rt.com)

A questão de Taiwan foi colocada no centro das relações entre China e Estados Unidos pelo presidente chinês, Xi Jinping, durante encontro histórico com Donald Trump em Pequim. Xi foi direto: se o tema não for gerenciado com cuidado, os dois países podem ser arrastados para uma situação ‘muito perigosa’.

A cúpula marca a primeira visita de um presidente dos EUA à China em oito anos, com Trump recebido em visita de Estado entre os dias 13 e 15 de maio. O encontro foi acompanhado de perto pelo mundo inteiro, dado o peso das tensões acumuladas entre as duas maiores economias do planeta.

Segundo a ACTUALIDAD, Xi foi categórico ao afirmar que Taiwan é o tema mais sensível e estruturante da relação bilateral. ‘Se a situação em torno da ilha for gerenciada adequadamente, as relações entre ambos os países poderão se manter estáveis em geral’, declarou o líder chinês.

A advertência veio logo em seguida, com uma das formulações mais diretas já feitas por um líder chinês em encontro presencial com um presidente americano. ‘Se não se gerencia bem, surgirão fricções e até conflitos entre ambos os países, o que empurrará as relações entre China e Estados Unidos a uma situação muito perigosa’, disse Xi.

Xi também reforçou a posição histórica de Pequim ao afirmar que ‘a independência de Taiwan e a paz no estreito de Taiwan são incompatíveis’. Para o presidente chinês, ‘manter a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan é o maior denominador comum entre China e Estados Unidos’ — uma formulação que, ao mesmo tempo em que convida à cooperação, demarca com precisão onde está o limite inegociável de Pequim.

O governo da República da China se estabeleceu em Taiwan em 1949, após a derrota dos nacionalistas na guerra civil. A ilha passou a ser administrada de forma separada do continente desde então, e Pequim considera Taiwan parte irrenunciável de seu território, nunca tendo aberto mão da reunificação, inclusive pela força, se necessário.

A maioria dos países do mundo adota formalmente a política de ‘uma só China’, o que significa não reconhecer Taiwan como Estado independente. Os próprios EUA mantêm essa posição oficial, embora vendam armas a Taipé e sustentem relações não oficiais com o governo da ilha — uma contradição que Pequim denuncia sistematicamente.

A visita de Trump ocorre em um momento de tensão comercial intensa entre Washington e Pequim, com tarifas cruzadas que atingiram patamares históricos nos últimos meses. A expectativa é que os dois líderes busquem estabilizar a relação por meio de acordos mutuamente benéficos e tentem reduzir as divergências em uma série de temas da agenda internacional.

O encontro em Pequim representa um teste real para a diplomacia das grandes potências. Xi escolheu abrir o diálogo com a questão mais explosiva da relação bilateral — e o fez com clareza calculada, sinalizando que nenhum acordo comercial ou aproximação estratégica terá sustentação enquanto o dossiê Taiwan continuar sendo instrumentalizado como moeda de pressão por Washington.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: China interrompe negociações sobre armas nucleares com os EUA devido ao apoio a Taiwan


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