Cisjordânia vive terceira Nakba com violência e deslocamentos forçados

Um homem beduíno palestino na Cisjordânia ocupada. (Foto: aljazeera.com)

A situação dos palestinos na Cisjordânia ocupada se agrava com deslocamentos forçados e violência crescente contra comunidades beduínas.

Abu Najjeh, líder da comunidade beduína de Ein Samiya, classifica o cenário atual como uma terceira Nakba, em referência ao êxodo palestino de 1948.

A comunidade de Abu Najjeh já foi deslocada sete vezes desde a Nakba original, com o episódio mais recente impulsionado por ataques sistemáticos de colonos israelenses.

Em Jiljilyya, colonos roubaram ovelhas e equipamentos agrícolas de uma família local, resultando no assassinato de Yousef Kaabneh, de 16 anos.

A família Kaabneh havia se mudado para Jiljilyya após ser expulsa de Wadi as-Seeq em 2023, buscando refúgio em área sob controle da Autoridade Palestina.

A violência dos colonos persiste, eliminando qualquer sensação de segurança nessas regiões.

A trajetória da família Kaabneh começou com a expulsão de suas terras no deserto de Naqab durante a Nakba de 1948.

Após a Guerra dos Seis Dias em 1967, foram forçados a se mudar para a Cisjordânia, estabelecendo-se em Ein Samiya por mais de 40 anos.

A expansão de assentamentos israelenses na região rompeu essa relativa estabilidade.

Desde 2019, um posto avançado de colonos próximo a Ein Samiya impôs restrições ao acesso à água e terras de pastagem, essenciais para a subsistência beduína.

Essas medidas culminaram na expulsão forçada da comunidade em maio de 2023, levando-os a se relocar para Khirbet Abu Falah.

Mesmo nessa nova área, os ataques de colonos continuaram, resultando em outro deslocamento durante o Ramadã deste ano.

Abu Najjeh e sua família vivem atualmente em condições precárias em Rammun, sem eletricidade e com suprimentos limitados de água.

A proximidade de novos postos de colonos intensifica o medo e a insegurança diária entre os moradores.

Esse padrão de violência e deslocamento afeta mais de 5.900 pessoas de 117 comunidades na Cisjordânia desde 2023, segundo dados da ONU.

O impacto humano é devastador, com crianças crescendo sob medo constante de ataques e comunidades inteiras sendo desmanteladas.

Abu Najjeh expressa desesperança, sem perspectiva de para onde ir diante da escalada de hostilidades.

Ele denuncia que a violência busca tornar a vida insustentável, forçando os palestinos a emigrar permanentemente.

Conforme relatado pela Al Jazeera, essa dinâmica reflete um esforço sistemático para desestabilizar e erradicar comunidades palestinas.

A terceira Nakba não é apenas um rótulo, mas uma realidade que perpetua o ciclo de trauma e resistência na Cisjordânia.

Organizações internacionais alertam para a urgência de intervenções que protejam os direitos desses povos indígenas.

Enquanto a violência persiste, vozes como a de Abu Najjeh clamam por solidariedade global contra o que classificam como limpeza étnica em curso.

Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.


Leia também: Expansão de assentamentos israelenses impõe nova Nakba aos palestinos na Cisjordânia


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