Pesquisadores do 23andMe Research Institute, da Universidade de Harvard e do Smithsonian Institution uniram forças para desvendar as origens genéticas dos colonos de St. Mary’s City, Maryland. Esta cidade, fundada em 1634, foi o primeiro assentamento inglês na colônia de Maryland. O estudo, publicado na Current Biology, analisou o DNA de 49 colonos enterrados no cemitério Chapel Field entre 1634 e 1730, revelando conexões com 1,3 milhão de descendentes vivos nos Estados Unidos.
O estudo utilizou uma abordagem inovadora que combina conexões genéticas com informações de história familiar auto-relatadas de participantes do banco de dados da 23andMe. A pesquisa permitiu propor identidades para três indivíduos anteriormente desconhecidos enterrados no local, incluindo o segundo governador de Maryland, Thomas Greene. David Reich, professor de genética na Harvard Medical School, destacou o poder do DNA antigo em preencher lacunas no registro histórico.
Douglas Owsley, curador de antropologia biológica no Smithsonian, explicou que o projeto começou com a escavação de três raros caixões de chumbo na Brick Chapel. Esses caixões continham os restos de Philip Calvert, sua primeira esposa Anne Wolseley Calvert e um filho, revelado ser de sua segunda esposa, Jane Sewell. A análise genética, publicada em um relatório técnico em 2016, foi formalmente divulgada neste estudo.
Philip Calvert, o quinto governador da colônia, era o filho mais novo de George Calvert, o primeiro Barão de Baltimore da Inglaterra. A família Calvert desempenhou um papel crucial na fundação da colônia de Maryland, que visava ser um local de liberdade religiosa para católicos perseguidos. A pesquisa identificou três membros adicionais da família Calvert através da comparação de DNA.
Além da família Calvert, o estudo identificou indivíduos relacionados a outras cinco famílias enterradas no local, incluindo uma que abrangia três gerações. Owsley destacou a surpresa de encontrar uma família multigeracional, dado o alto índice de mortalidade nos primeiros dias da colônia.
Os pesquisadores também traçaram as migrações históricas dos descendentes dos colonos de St. Mary’s City, identificando conexões genéticas com participantes do Reino Unido, especialmente do oeste da Inglaterra e do País de Gales, além de alguns com ascendência irlandesa. Um forte sinal genético refletiu a migração documentada de católicos de Maryland para Kentucky entre 1780 e 1820, motivada por pressões econômicas e preconceito anti-católico.
Éadaoin Harney, cientista sênior do 23andMe Research Institute, destacou o poder da abordagem genética para detectar migrações históricas. A pesquisa também propôs a identificação de Thomas Greene, sua esposa Anne e seu filho Leonard, com base em conexões genéticas e árvores genealógicas de participantes do estudo.
Henry Miller, pesquisador sênior em St. Mary’s City, afirmou que a análise genética foi fundamental para identificar Greene, um dos mais proeminentes colonos de Maryland. O estudo destaca a importância da colaboração comunitária, com descendentes de Maryland apoiando ativamente a pesquisa, reforçando as conexões duradouras entre os primeiros colonos europeus dos EUA e milhões de americanos vivos.
Para mais detalhes, acesse o portal Phys.org.
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