A professora Monica Grady, especialista em meteorítica, e o paleontólogo Michael J. Benton reconstruíram minuto a minuto o cenário catastrófico que pôs fim ao reinado dos dinossauros há 66 milhões de anos. Em artigo publicado no The Conversation, os dois cientistas descreveram de forma cronológica como um único impacto transformou radicalmente a biosfera terrestre e redesenhou o curso da evolução.
O evento ocorreu no final do período Cretáceo e resultou na extinção dos dinossauros não avianos e de cerca de metade de todas as outras espécies que habitavam o planeta. Grady e Benton explicaram que o agente da destruição foi um asteroide com aproximadamente 10 km de diâmetro, que atingiu a superfície terrestre a uma velocidade superior à do som na região do que hoje é o Caribe.
O impacto escavou uma cratera gigantesca e liberou uma quantidade colossal de energia. Ondas de choque sísmicas e térmicas devastaram a região em questão de minutos, incinerando tudo em um raio de até 2.000 km do epicentro.
Ventos supersônicos e radiação térmica varreram a paisagem, enquanto megatsunamis atingiram as margens do atual Golfo do México. Apenas cinco minutos após a colisão, a temperatura atmosférica na região havia ultrapassado 226 graus Celsius.
Em menos de uma hora, um cinturão de poeira e fuligem já havia circundado o globo inteiro. Esse véu de partículas bloqueou a luz solar e deu início a um inverno prolongado que se estendeu por meses, derrubando as temperaturas médias globais em até 15 graus Celsius.
A chuva ácida, gerada pela vaporização de sedimentos ricos em enxofre, agravou o colapso dos ecossistemas. Cadeias alimentares inteiras foram destruídas tanto nos continentes quanto nos oceanos.
Um ano após o impacto, a Terra ainda estava mergulhada nesse inverno rigoroso, com mais de 50% das espécies vegetais extintas. As perdas entre animais terrestres e marinhos foram igualmente catastróficas.
A vida, porém, não foi completamente apagada: pequenos mamíferos, algumas aves e outros grupos resistiram às novas condições. Esses sobreviventes começaram lentamente a repovoar um planeta transformado.
Conforme detalha a reportagem do Olhar Digital sobre o trabalho dos dois pesquisadores, sem aquela colisão a trajetória evolutiva dos mamíferos poderia ter seguido um caminho radicalmente diferente. A extinção dos dinossauros abriu o espaço ecológico que permitiu a ascensão dos mamíferos e, eventualmente, o surgimento da espécie humana, tornando o impacto de 66 milhões de anos atrás um dos eventos mais decisivos da história da vida na Terra.
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