Pesquisadores descobriram um molar de Neandertal de 59 mil anos que apresenta sinais de cirurgia dentária, sugerindo que esses hominídeos já realizavam procedimentos para tratar cáries. Essa descoberta, publicada na revista PLOS One, antecipa em cerca de 45 mil anos a evidência mais antiga de trabalhos dentários conhecidos, anteriormente atribuída a Homo sapiens.
O estudo, conduzido por Andrey Krivoshapkin, arqueólogo da Academia Russa de Ciências, destaca a sofisticação dos Neandertais, frequentemente subestimada. Segundo Krivoshapkin, essa descoberta desafia a visão ultrapassada de que os Neandertais eram menos inteligentes que os humanos modernos, mostrando que eles praticavam tratamentos médicos ativos. A análise do dente, encontrado na Caverna Chagyrskaya, na Rússia, revelou um grande orifício curvo que se estendia até a câmara pulpar, indicando que o dente foi deliberadamente perfurado.
Alisa Zubova, antropóloga da mesma academia, observou que o proprietário do dente parece ter identificado intuitivamente a origem da dor e buscado removê-la. Essa percepção sugere que os Neandertais tinham uma compreensão emocional e consciente semelhante à dos humanos modernos. Técnicas de imagem avançadas confirmaram a presença de duas cáries e marcas de raspagem, indicando que um colega Neandertal utilizou uma ferramenta de pedra, possivelmente feita de jaspe, para perfurar o dente.
Kseniya Kolobova, coautora do estudo, explicou que abrir a câmara pulpar aliviaria a pressão e removeria o tecido infectado, reduzindo a dor e interrompendo a infecção. A sobrevivência do indivíduo após o procedimento é evidenciada pelo polimento do dente, indicando seu uso contínuo. A equipe tentou replicar o procedimento em laboratório, usando dentes de Homo sapiens e ferramentas de jaspe, e constatou a dificuldade de remover o tecido sem danificar o dente, sugerindo que o dentista Neandertal tinha experiência.
Apesar das evidências, alguns acadêmicos, como Rachel Kalisher, bioarqueóloga da Universidade da Califórnia, permanecem céticos quanto à interpretação de cirurgia dentária, embora reconheçam a inteligência dos Neandertais. Para mais informações, acesse o portal Smithsonian.
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