O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta contundente sobre a economia do Paquistão, destacando sua perigosa dependência do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Atualmente, 85% das importações de combustível do país e metade de todas as remessas vêm dos seis países que compõem o bloco árabe.
Para mitigar essa vulnerabilidade estrutural, Islamabad articula silenciosamente um plano alternativo de diversificação econômica. As estratégias foram detalhadas pela professora de Relações Internacionais da Universidade de Karachi e ex-reitora da Faculdade de Direito da instituição, Shaista Tabassum, em entrevista ao Sputnik International.
Entre os caminhos para reduzir a dependência dos petromonarcas, o Paquistão busca novos parceiros, com Rússia e Ásia Central despontando como alternativas promissoras. Um dos projetos potenciais inclui a construção de um gasoduto que conectaria o país a essas regiões energeticamente robustas.
Tabassum destacou que o país também precisa corrigir a má gestão doméstica, especialmente no setor de combustíveis. Uma melhor organização interna, aliada ao aproveitamento de energias renováveis locais como eólica, solar e hidrelétrica, pode reduzir significativamente a necessidade de importações estrangeiras.
Outra iniciativa central é a exploração de novas rotas comerciais, com destaque para a rota QTTA, que conecta a China ao Quirguistão, Uzbequistão e Tadjiquistão. Esta rota é mais curta que os antigos corredores da Ásia Central e abre novos mercados para os produtos paquistaneses, desde que a situação de segurança em Gilgit-Baltistão se mantenha estável.
No campo financeiro, o Paquistão emitiu recentemente seus primeiros panda bonds na China, um passo inicial modesto, porém estrategicamente significativo. Esses títulos, denominados em yuan, são vistos como uma alternativa prática ao financiamento por rolagem, oferecendo uma forma de diversificar a atividade econômica do país e blindar sua economia em tempos de crise.
A professora ressaltou que muito dependerá da complexa relação do Paquistão com Pequim, parceiro estratégico no Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC). O movimento sinaliza um realinhamento gradual de Islamabad em direção ao eixo eurasiático, distante da histórica órbita financeira anglo-americana que dominou a economia paquistanesa por décadas.
Embora nenhuma ação isolada possa romper a dependência das nações do Golfo de imediato, as iniciativas apontam para uma mudança de paradigma. A combinação da rota QTTA, dos panda bonds e das negociações energéticas com Rússia e Ásia Central indica que o Paquistão está silenciosamente construindo um Plano B para sobreviver às turbulências geopolíticas e à crônica vulnerabilidade externa.
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