A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, mirando o desembargador Guaraci de Campos Vianna, integrante da 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, filiado ao Partido Liberal (PL).
A operação investiga um suposto esquema bilionário envolvendo o Grupo Refit, antigo nome da Refinaria de Manguinhos. As ações foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A operação inclui 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública. As diligências abrangem os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.
As investigações apontam para o uso de estruturas empresariais e financeiras sofisticadas com o objetivo de ocultar patrimônio, lavar dinheiro, promover evasão de recursos ao exterior e cometer fraudes tributárias no setor de combustíveis. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, conforme apurou o portal Metrópoles.
O nome de Guaraci Vianna já havia surgido em investigações anteriores ao deflagramento da operação. A Corregedoria Nacional de Justiça determinou seu afastamento imediato após suspeitas de que o magistrado teria proferido decisões judiciais que beneficiavam diretamente a Refinaria de Manguinhos, especialmente em disputas sobre o funcionamento da empresa e cobranças tributárias bilionárias.
O empresário Ricardo Magro, que comanda o Grupo Refit, também figura entre os investigados. A Receita Federal aponta o grupo como um dos maiores devedores tributários do país, com passivo superior a R$ 26 bilhões. As suspeitas contra Magro incluem fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e manobras patrimoniais deliberadas para dificultar a cobrança de tributos.
A operação também determinou a inclusão de Ricardo Magro na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localizar e solicitar a prisão de foragidos em outros países. O Grupo Refit já esteve envolvido em investigações anteriores no mercado de combustíveis, com suspeitas que vão desde adulteração de produtos e sonegação de ICMS até conexões com estruturas criminosas organizadas.
Até o momento da publicação desta reportagem, as defesas de Cláudio Castro, Guaraci Vianna, Ricardo Magro e do Grupo Refit não se manifestaram publicamente sobre as acusações. A amplitude do esquema investigado — que combina corrupção no Judiciário, conivência política e fraude tributária em escala bilionária — coloca a Operação Sem Refino entre as mais expressivas já deflagradas contra o setor de combustíveis no país.
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