A escalada do conflito militar promovido pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irã agravou a crise global de fertilizantes. O bloqueio de 20% das exportações mundiais no Estreito de Hormuz elevou os custos de insumos agrícolas e combustíveis, impactando comunidades vulneráveis em diversos continentes.
O fornecimento de gás natural e enxofre, essenciais para a produção de adubos, enfrenta interrupções logísticas severas. Especialistas alertam para o risco de uma nova crise alimentar na África, onde milhões já sofrem com insegurança alimentar crônica.
Autoridades de bancos de desenvolvimento defendem o aumento do fornecimento de fertilizantes químicos como solução imediata. Contudo, essa estratégia repete erros do passado, como os ocorridos durante a crise de alimentos de 2008, quando programas de subsídios deixaram governos africanos endividados.
O portal Al Jazeera destaca que o modelo de dependência de químicos falhou em reduzir a fome de forma sustentável. O caso de Malawi ilustra o problema, pois o país sacrificou orçamentos de educação e infraestrutura para financiar importações de insumos caros.
Corporações transnacionais que dominam o mercado de fertilizantes mantêm margens de lucro abusivas, entre 30% e 80% na África. O bilionário Aliko Dangote, dono da maior fábrica de ureia da Nigéria, aumentou os preços em 40% após os ataques ocidentais ao Irã.
A produção local de Dangote prioriza mercados como os EUA e o Brasil, deixando agricultores africanos desassistidos. Além dos custos financeiros, a dependência de químicos gera graves passivos ambientais, como os registrados na Tunísia.
Fertilizantes químicos são responsáveis por mais emissões de gases de efeito estufa do que toda a aviação comercial global. Organizações de agricultores na África Ocidental e do Norte defendem o redirecionamento de subsídios para a agroecologia como alternativa soberana.
Movimentos como Nous Sommes la Solution demonstram que é possível produzir alimentos de qualidade sem insumos fósseis. Estudos em dezenas de países mostram que técnicas agroecológicas podem aumentar a produtividade em até 100% em culturas como mandioca e milho.
No Senegal, agricultores que adotaram a agroecologia registraram rendimentos 17% superiores e aumento de 36% nas rendas familiares. A transição para sistemas alimentares livres de químicos alinha-se ao compromisso de 60 governos que buscam eliminar gradualmente os combustíveis fósseis.
Priorizar sistemas locais e o empoderamento camponês representa a saída contra o controle corporativo e a crise climática. A agroecologia emerge como solução sustentável para garantir a soberania alimentar no continente africano.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
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