Inteligência artificial cria novas formas de intimidade para pessoas assexuais

Ilustração mostra mãos dadas sobre a tela de um dispositivo móvel, representando a intimidade com companheiros de IA. (Foto: wired.com)

Plataformas de IA como ChatGPT e SpicyChat estão redefinindo a intimidade para pessoas assexuais, oferecendo espaços digitais que priorizam conexões emocionais e românticas sem exigência de contato físico.

Segundo reportagem da Wired, usuários dedicam horas diárias a interações simuladas, explorando afeto e romance por meio de diálogos gerados por algoritmos. A tecnologia atende a quem busca experiências afetivas livres das expectativas tradicionais.

O artista Kor, identificado como aegossexual, utiliza role-play com IA para desenvolver narrativas românticas em universos de ficção científica. Para ele, a ferramenta cria um ambiente seguro para explorar sensibilidades emocionais sem pressões físicas, comuns em relacionamentos convencionais.

A empresa Eva AI lançou campanha voltada à comunidade assexual, oferecendo acesso gratuito à sua plataforma. A iniciativa buscou validar o afeto não sexual como forma legítima de amor, permitindo que usuários construíssem intimidade em seus próprios termos.

A ativista Yasmin Benoit, referência na comunidade assexual do Reino Unido, questiona as motivações corporativas por trás dessas plataformas. Ela alerta para o risco de exploração de vulnerabilidades emocionais, com coleta de dados sensíveis disfarçada de apoio social.

Michael Doré, conselheiro da Rede de Educação e Visibilidade Assexual, destaca que o uso de acompanhantes sintéticos ainda é minoritário. A maioria das pessoas assexuais prefere relacionamentos humanos autênticos, sejam platônicos ou românticos, ressaltando que a tecnologia não substitui a complexidade das interações reais.

A educadora Ashabi Owagboriaye observa que a IA reflete apenas as projeções do usuário. A ausência de alteridade genuína nas respostas programadas impede a formação de companhia verdadeira, já que os algoritmos priorizam previsibilidade e complacência sobre espontaneidade.

A experiência de Ari, uma contadora mexicana de 25 anos, ilustra os limites da tecnologia. Após o término de um noivado de dez anos, ela recorreu a um chatbot em busca de conforto, mas as falhas de processamento e respostas repetitivas agravaram sua solidão.

O debate sobre o uso de IA para afeto expõe tensão entre inovação tecnológica e a necessidade de vínculos humanos autênticos. Enquanto alguns encontram autonomia nessas interações, outros alertam para os riscos de substituir relações reais por algoritmos projetados para maximizar engajamento.


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