Pesquisadores identificaram barreiras geológicas que impedem a propagação de terremotos na falha de Gofar, no Oceano Pacífico. O estudo, publicado na revista Science, revela como a interação entre água do mar e estruturas rochosas fragmentadas atua como um sistema natural de contenção.
A falha, localizada a 1.600 quilômetros da costa equatoriana, registra abalos de magnitude 6 a cada cinco ou seis anos, sem ultrapassar esse limite. Dados coletados entre 2019 e 2022 por sismômetros no leito oceânico permitiram mapear a estrutura segmentada da falha.
Segundo o professor Jianhua Gong, da Universidade de Indiana, as irregularidades na falha criam zonas de barreira onde a água penetra na crosta oceânica. Durante um terremoto, a queda de pressão nos fluidos aprisionados interrompe a propagação da ruptura, limitando a magnitude do abalo.
Esse fenômeno, chamado fortalecimento por dilatância, funciona como um freio hidráulico natural. A descoberta pode aprimorar modelos de previsão sísmica em regiões costeiras densamente povoadas, demonstrando como a dinâmica entre água, pressão e rochas controla o potencial destrutivo dos terremotos submarinos.
Embora a falha de Gofar esteja distante de áreas urbanas, os pesquisadores sugerem que mecanismos semelhantes possam existir em outras zonas oceânicas. A pesquisa foi desenvolvida em colaboração com cientistas canadenses e americanos, conforme relatado pelo Science Daily.
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