O governo de Uganda anunciou um plano ambicioso de mobilidade elétrica que prevê investimentos de US$ 1,7 bilhão para substituir integralmente ônibus e motocicletas de aluguel por veículos movidos a bateria até 2030. A medida visa eliminar a dependência de combustíveis fósseis importados e impulsionar a indústria nacional.
De acordo com o portal Electrek, a iniciativa promete gerar 500 mil empregos verdes e elevar a participação da manufatura no PIB ugandense para 12,5%. Além disso, o projeto visa reduzir drasticamente a poluição atmosférica nas principais cidades do país.
Winstone Katushabe, comissário de regulamentação e segurança de transportes do Ministério de Obras e Transportes, afirmou que a mobilidade elétrica se tornou prioridade estratégica para o desenvolvimento sustentável de Uganda. Ele destacou que a população de Kampala começará a ver ônibus elétricos produzidos pela estatal Kiira Motors Corporation em circulação nas ruas.
Atualmente, Uganda já conta com cerca de 5 mil motocicletas elétricas em operação, embora ainda dependa majoritariamente de combustíveis fósseis. Para acelerar a transição, o governo planeja instalar 3.500 estações de carregamento público em todo o território nacional, garantindo infraestrutura para a expansão dos veículos elétricos.
Cosmas Twikirize, superintendente da cadeia de valor industrial do Ministério da Ciência, Inovação e Tecnologia, anunciou que negociações com parceiros internacionais já asseguraram US$ 800 milhões em financiamento. Esse montante representa quase metade do custo total do projeto e reflete o reconhecimento internacional do potencial tecnológico do país.
A Kiira Motors Corporation, empresa estatal sediada em Jinja, já opera um programa piloto de ônibus elétricos no corredor leste de Uganda. A iniciativa reforça a estratégia de soberania industrial do país, enquanto outras nações africanas, como a Etiópia, também avançam em políticas de transição para motores elétricos.
O plano ugandense demonstra capacidade de planejamento e execução de políticas públicas no continente africano, desafiando estereótipos que subestimam o avanço tecnológico e industrial das nações em desenvolvimento. A expectativa é que o projeto melhore a qualidade de vida nas cidades e sirva como modelo para outros países que buscam autonomia energética.
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