O cérebro humano, em sua complexidade fascinante, está sempre um pouco atrasado em relação ao presente. Mesmo que possamos nos sentir imersos no agora, a verdade é que vivemos ligeiramente no passado, uma consequência das limitações na velocidade de processamento das informações sensoriais.
O processo de recebimento e interpretação dos dados sensoriais, como a luz que incide nas retinas ou os sons que vibram nos ouvidos, é sempre um pouco defasado. Essa defasagem se deve ao tempo que as informações levam para chegar ao cérebro e serem processadas, uma vez que a transmissão de dados em nosso cérebro é lenta.
Mesmo os neurônios mais rápidos conseguem atingir apenas cerca de 431 km/h, uma velocidade significativamente inferior à de um fio de cobre, que pode chegar a incríveis 1,08 bilhões de km/h. Como resultado, o que percebemos agora, na verdade, ocorreu no mundo há cerca de 100 milissegundos, ou um décimo de segundo, atrás.
Embora esse atraso possa parecer insignificante, ele representa um desafio significativo para a interação com o mundo ao nosso redor, dada a lentidão do controle corporal. Para lidar com essa situação, o cérebro humano desenvolveu uma solução engenhosa: antecipar constantemente o que está acontecendo.
Portanto, nossa experiência subjetiva do mundo é uma mistura de um instantâneo sensorial desatualizado e uma previsão do que virá a seguir. Normalmente, o cérebro faz um trabalho tão bom em suavizar esses desafios que não percebemos essa defasagem.
No entanto, existem maneiras divertidas de tornar essa suposição sensorial evidente. Por exemplo, a incapacidade de fazermos cócegas em nós mesmos é uma prova de como o cérebro antecipa as consequências sensoriais de nossos movimentos, anulando-as.
Outro exemplo curioso é quando pisamos em uma escada rolante quebrada e sentimos um estranho desequilíbrio. Isso ocorre porque o cérebro, ao tentar superar a natureza desatualizada das informações sensoriais recebidas, faz ajustes posturais antecipatórios.
Quando a escada rolante está funcional, esses ajustes funcionam bem e conseguimos nos manter em pé. Mas quando a escada está quebrada, o cérebro ainda realiza os ajustes, resultando em um desequilíbrio desnecessário.
Além de viver um pouco no passado devido às informações sensoriais desatualizadas, o cérebro também retrocede constantemente experiências para o passado. Isso acontece devido aos movimentos oculares bruscos, conhecidos como sacadas, que ocorrem várias vezes por segundo.
Esses movimentos oculares são tão rápidos que borram a visão, mas não percebemos isso porque, durante cada sacada, o cérebro suprime toda a entrada visual. Para suavizar essas lacunas, quando o olhar pousa em um objeto, o cérebro retrocede a experiência subjetiva de quanto tempo esse objeto está lá, cerca de 50 milissegundos antes do início do movimento ocular.
Dada a estabilidade da maioria dos objetos em uma cena visual, na maioria das vezes, não percebemos esse processo de retrocesso. Mas ele pode se manifestar quando nosso olhar se fixa no ponteiro dos segundos de um relógio.
Já notou que, ao olhar para o ponteiro dos segundos pela primeira vez, ele parece demorar muito para se mover? Isso ocorre devido ao processo de retrocesso, que faz parecer que o ponteiro dos segundos está em sua posição há muito tempo.
Em resumo, embora possamos sentir que estamos vivendo no presente, nosso cérebro, de algumas maneiras, está sempre tentando alcançar o momento atual. Para mais informações sobre como o cérebro humano processa o tempo, você pode acessar o artigo completo aqui.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.