Pesquisadores identificaram que a proteína MYC, tradicionalmente associada ao crescimento acelerado de tumores, atua como um escudo molecular contra os danos causados pela quimioterapia. A descoberta revela que a molécula reparar danos no DNA das células cancerosas, permitindo que os tumores resistam aos tratamentos convencionais.
A diretora associada do Centro Brenden-Colson para Cuidados Pancreáticos da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, Rosalie Sears, explicou que a MYC não apenas estimula a proliferação descontrolada das células malignas. Segundo ela, a proteína migra para os pontos de ruptura do material genético e recruta enzimas responsáveis pela reparação, criando um mecanismo de defesa contra as terapias.
O estudo, publicado na revista Genes & Development, analisou tipos de câncer agressivos, como o de pâncreas, onde a MYC apresenta alta atividade. Essa capacidade de reparo explica a resistência observada em muitos pacientes submetidos a radiação e quimioterapia, conforme relatado pelo Science Daily.
Gabriel Cohn, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Würzburg, destacou que as células tumorais enfrentam estresse extremo durante os tratamentos. Mesmo assim, os tumores continuam crescendo graças à proteção oferecida pela MYC, que age como um escudo contra os efeitos das terapias.
Uma equipe da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon já desenvolve um inibidor experimental em ensaios clínicos. O objetivo é bloquear a função reparadora da MYC no DNA sem afetar suas atividades essenciais em células saudáveis, abrindo caminho para terapias mais eficazes.
Especialistas consideram o avanço um marco na oncologia, especialmente para tumores agressivos que resistem aos tratamentos disponíveis. A descoberta derruba a ideia de que a MYC seria um alvo inatingível para medicamentos.
Os resultados abrem perspectivas para estratégias focadas em desativar as defesas naturais dos tumores. A expectativa é que, em breve, pacientes com cânceres resistentes possam se beneficiar de terapias mais precisas e menos invasivas.
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