Comentários sobre: Revitalização do Rio Cheonggyecheon em Seul reduz temperatura em 3,3°C e expõe limites do modelo rodoviário https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 17 May 2026 06:13:11 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Por: Bia Carioca https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842970 https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842970 Em resposta a Marta Souza.

Marta, discordo profundamente: a rodovia elevada que eles derrubaram foi construída exatamente para atender aos interesses do lobby automobilístico e do “mercado livre” que prioriza carro sobre gente. O mérito do projeto público de Seul foi justamente mostrar que o Estado pode consertar décadas de erro privatista quando há vontade política e planejamento urbano de verdade. Imposto bem aplicado salvou a cidade — não o mercado.

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Por: Marta Souza https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842969 https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842969 Interessante como um projeto público conseguiu desfazer o estrago que o próprio Estado causou ao construir aquela rodovia elevada. Se deixassem o mercado livre planejar as cidades, nem precisaríamos gastar bilhões para remediar o erro de urbanistas de gabinete. Imposto bem aplicado é raridade, mas solução privada com concorrência teria sido mais rápida e barata.

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Por: Cristina Rocha https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842966 https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842966 Em resposta a Ana Paula Conserva.

Ana Paula, que bom que você reconhece o mérito ambiental do projeto. Mas permita-me puxar um fio que a sua leitura deixa escapar: essa noção de “modismos ideológicos” merece uma análise mais cuidadosa. Dizer que revitalizar um rio urbano é apenas bom senso, e não uma posição política, já é, em si, um ato ideológico — o que os frankfurtianos chamariam de naturalização do discurso dominante. O modelo rodoviário que imperou nas cidades do pós-guerra não surgiu do nada: foi fruto de decisões políticas que beneficiaram a indústria automobilística, o petróleo e a especulação imobiliária, enquanto sufocavam o transporte público e o direito ao espaço público. Ou seja, o “progresso” que você menciona sempre teve um viés de classe e de gênero. Quem podia se dar ao luxo de ter um carro? Quem ficava presa em casa cuidando das crianças enquanto as ruas eram tomadas por viadutos? O rio enterrado sob concreto era a metáfora perfeita de um modelo que escondeu seus custos ambientais e humanos embaixo do asfalto.

O projeto de Seul é, de fato, admirável do ponto de vista técnico e de resiliência climática, mas não podemos romantizá-lo como um exemplo apolítico de “respeito à criação”. Primeiro, porque a revitalização veio acompanhada de gentrificação — os pequenos comércios populares e moradores de baixa renda que ocupavam as margens do canal foram deslocados para dar lugar a um corredor turístico e de alto valor imobiliário. Isso não é “bem-estar das famílias”, é transferência de renda dos pobres para os ricos com verniz verde. Segundo, porque a escala da intervenção é possível numa cidade com o orçamento e o autoritarismo estatal da Coreia do Sul — o governo simplesmente removeu a via elevada e decidiu o projeto de cima para baixo, sem consulta popular substantiva. O que eu defendo não é menos planejamento, mas sim um planejamento radicalmente democrático, que enfrente a propriedade privada e o lucro como entraves estruturais. Enquanto não questionarmos quem decide, quem paga e quem ganha com essas “revitalizações”, estaremos apenas maquiando o mesmo modelo extrativista de cidade.

Por fim, discordo da sua associação entre progresso e uma suposta neutralidade ideológica. Toda intervenção urbana carrega uma concepção de vida boa. A sua, que evoca “criação de Deus” e “famílias”, tende a naturalizar a família nuclear patriarcal e a propriedade privada como valores universais. A minha, como materialista histórica, entende que a crise ecológica é a ponta do iceberg de um sistema que mercantiliza a natureza e explora o trabalho. O rio Cheonggyecheon mostra que é possível reverter danos, sim — mas sem reforma agrária urbana, sem controle social dos meios de produção e sem uma crítica radical ao desenvolvimento capitalista, essas experiências permanecem como ilhas de beleza num oceano de desigualdade. A temperatura caiu 3,3°C, mas o termômetro da injustiça social continua subindo.

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Por: Ana Paula Conserva https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842964 https://www.ocafezinho.com/2026/05/17/revitalizacao-do-rio-cheonggyecheon-em-seul-reduz-temperatura-em-33c-e-expoe-limites-do-modelo-rodoviario/#comment-842964 Que projeto maravilhoso! Mostra que é possível conciliar progresso com respeito à criação de Deus. Precisamos de mais iniciativas assim que priorizem o bem-estar das famílias e o equilíbrio ambiental, sem ceder a modismos ideológicos.

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