Cientistas alertam para impacto climático de megaconstelações de satélites

Foguete da SpaceX deixa rastro luminoso no céu noturno, visto de uma rodovia. (Foto: space.com)

O aumento das megaconstelações de satélites, como a Starlink da SpaceX, tem gerado preocupações entre cientistas sobre seu impacto ambiental. De acordo com o portal Space.com, especialistas em química atmosférica, como Eloise Marais, da University College London, destacam que a poluição em altas altitudes, resultante dos lançamentos e reentradas de satélites, pode alterar o clima da Terra.

Desde o início das megaconstelações em 2020, a concentração de poluentes atmosféricos tem aumentado. Marais descreve essa situação como um experimento de geoengenharia não regulamentado, com potenciais consequências ambientais sérias e imprevistas. Estima-se que, até 2030, a indústria espacial poderá liberar mais produtos químicos que alteram o clima do que o Reino Unido inteiro, se não houver regulamentação adequada.

Um dos principais poluentes gerados pelos lançamentos de satélites é o carbono negro, que tem um impacto climático 540 vezes maior do que o carbono negro emitido por navios, carros e usinas de energia. Além disso, as reentradas dos satélites produzem óxidos de alumínio, que podem danificar a camada de ozônio. Os modelos climáticos utilizados pelos pesquisadores mostram que esses poluentes podem destruir o ozônio e alterar o clima global.

O fenômeno das megaconstelações, que visa fornecer internet a áreas remotas, está crescendo rapidamente. Atualmente, mais de 15.000 satélites orbitam a Terra, um número que triplicou desde 2020, em grande parte devido à Starlink. Marais e sua equipe alertam que, se não houver regulamentação, a concentração de poluentes pode atingir níveis que impactem significativamente o clima da Terra.

A pesquisa, publicada na revista Earth’s Future, enfatiza a necessidade urgente de regulamentar a poluição gerada por lançamentos e reentradas de satélites. Marais defende que mais investimentos em pesquisa são necessários para acompanhar o rápido crescimento da indústria espacial e suas implicações ambientais.


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