Estudantes brasileiros selecionados pela Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), com apoio da Escola Politécnica (Poli) da USP, conquistaram oito prêmios na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, realizada entre 9 e 15 de maio em Phoenix, no Arizona (EUA). Considerada a principal competição internacional pré-universitária da área, a feira reúne anualmente cerca de 1.600 estudantes de aproximadamente 60 países, que apresentam seus projetos a avaliadores internacionais em um ambiente altamente competitivo.
A delegação da Febrace foi composta por 14 estudantes de diferentes regiões do País, autores de projetos que abordam desafios concretos em áreas como saúde, agricultura, meio ambiente, tecnologia e inteligência artificial, além de temas ligados a políticas públicas. Ao todo, o Brasil foi representado por 26 estudantes, incluindo participantes selecionados pela Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), outra importante feira internacional de ciência e tecnologia, realizada pela Fundação Liberato, no Rio Grande do Sul.
As premiações da Regeneron ISEF são concedidas em duas frentes: os Grand Awards, que reconhecem os melhores trabalhos em 22 categorias científicas — com prêmios em dinheiro que variam de US$ 600 a US$ 6.000 —, e os Special Awards, oferecidos por universidades, instituições de pesquisa e organizações internacionais, que incluem bolsas de estudo, estágios e outras distinções acadêmicas. Ao todo, os finalistas da feira concorreram a cerca de US$ 9 milhões em prêmios. Os estudantes da Febrace foram reconhecidos nas duas cerimônias de premiação: seis na Grand Awards e duas na Special Awards.
A ISEF é mais do que uma competição: é um ambiente de validação científica em escala global. Os oito prêmios conquistados por estudantes brasileiros de quatro regiões do País refletem a consistência da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia como principal porta de entrada do Brasil para essa competição, afirma Roseli de Deus Lopes, professora da Poli e coordenadora geral da Febrace.
Entre os destaques está o projeto MeMO – Ondas binaurais e modulação gênica no Alzheimer, de Ada Jamile Gomes de Oliveira, do Colégio Militar de Manaus (AM). Orientada por Roberto Alexandre Alves Barbosa Filho, a estudante conquistou o 4º lugar na categoria Translational Medical Science. A pesquisa investiga o uso de estímulos sonoros para modular a expressão de genes associados ao Alzheimer, indicando potencial como abordagem terapêutica complementar.
Na categoria de Ciências das Plantas, Kenisson Morais Brito, da Escola Sesi Anísio Teixeira, em Vitória da Conquista (BA), obteve o 4º lugar com o projeto AnisGuard. Sob orientação de Winne Katharine Souza Rocha e Gislaine Amorim Santos, o estudante desenvolveu um fungicida natural para café baseado no extrato de erva-doce, capaz de reduzir drasticamente a contaminação fúngica pós-colheita.
O projeto Sustainpoly, desenvolvido por Davi Oliveira Silva, João Pedro Monteiro Silva e Jordana da Silva Mendonça, da E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis, em Cascavel (CE), recebeu dupla premiação: o 4º lugar em Engenharia Ambiental e o 1º lugar da Sigma Xi, The Scientific Research Honor Society. A iniciativa propõe o reaproveitamento de resíduos do maracujá para a produção de biocompósitos multifuncionais aplicáveis na agricultura, reduzindo custos e aumentando a vida útil de alimentos.
Também do Ceará, a estudante Yanna Francisca Nogueira Queiroz, da E.E.F.M. Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, em Iracema, conquistou o 4º lugar na categoria de Ciências Comportamentais e Sociais. O projeto utiliza inteligência artificial e aprendizado de máquina para mapear padrões de feminicídio no estado, gerando dados fundamentais para a elaboração de políticas públicas.
No Paraná, Beatriz Maria Ferreira dos Santos, do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, em Toledo, alcançou o 3º lugar na categoria de Ciências das Plantas. O estudo desenvolveu um meio de cultivo de baixo custo com extratos vegetais que acelera o crescimento de orquídeas em até 90%, contribuindo para a produção comercial e a conservação de espécies ameaçadas.
O projeto Safeskies, de Leonardo Paschoal Bartoccini e Lara Megda Schusterschitz, do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo (SP), também foi duplamente premiado, recebendo o 4º lugar em Sistemas Embarcados e o 4º lugar da Association for Computing Machinery. O sistema utiliza visão computacional para detectar e prever a trajetória de balões com 94% de precisão, visando prevenir incêndios e riscos ao tráfego aéreo.
Promovida pela Escola Politécnica da USP e realizada pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), a Febrace é a principal feira pré-universitária do País. Além da mostra anual, o programa promove a educação STEM no Brasil por meio de formação de professores e estímulo contínuo à pesquisa escolar. Desde sua criação, a feira já reuniu mais de 16.700 estudantes e resultou em milhares de premiações científicas e institucionais.
A notícia foi publicada pelo Jornal da USP e coletada em 18 de maio de 2026.
Fonte: Jornal da USP.