Estudo aponta lentidão crítica no transporte público do Distrito Federal

Ônibus e carros enfrentam trânsito lento em uma via de Brasília, no Distrito Federal. (Foto: metropoles.com)

Um estudo recente conduzido pela urbanista Carlla Brito Furlan Pourre, mestre e doutora em planejamento urbano e regional pela Universidade de Brasília (UnB), revelou que os ônibus no Distrito Federal enfrentam uma lentidão significativa, levando em média sete minutos para percorrer apenas 1 km. Essa realidade impacta diretamente a vida de milhares de usuários do transporte público, que enfrentam longas jornadas diárias para se deslocar.

De acordo com a pesquisa, a lentidão é atribuída a fatores como grandes extensões viárias, ausência de corredores exclusivos para ônibus e congestionamentos nos horários de pico. A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (Semob-DF) reconheceu o desafio e afirmou que melhorias na velocidade operacional do transporte público são tratadas de forma permanente.

O estudo aplicou cinco indicadores para avaliar o sistema de transporte público do DF pela perspectiva dos usuários. Entre eles, destacou-se a capacidade financeira dos usuários, revelando que o brasiliense compromete em média 14% de sua renda com o transporte, um valor acima da referência internacional de 6% a 10%. Em regiões mais pobres, esse percentual chega a 37% no SCIA e a 25% em áreas como Paranoá e Recanto das Emas.

Outro indicador importante foi o tempo de percurso, que evidenciou a média de sete minutos por quilômetro, afetando principalmente as regiões administrativas mais distantes do centro, como Paranoá e Fercal. A urbanista Carlla Brito destacou que a penalização é dupla, afetando mais quem mora longe e tem menor renda, resultando em tempos de percurso piores e custos mais altos.

Wesley Ferro Nogueira, secretário executivo do Instituto MDT – Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte, enfatizou que a infraestrutura exclusiva para ônibus no DF é insuficiente. Ele apontou que, onde existem corredores exclusivos, como no BRT e na faixa exclusiva da EPTG, as velocidades são mais altas, mas a extensão atual de 150 km é pouco representativa para o tamanho do sistema viário do DF.

A Semob-DF informou que medidas estão sendo adotadas para melhorar a fluidez viária, como a implantação e ampliação de faixas exclusivas de ônibus e a criação de linhas expressas. Recentemente, foram criadas as linhas expressas 2401 e 2101, que fazem o trajeto entre a Rodoviária do Plano Piloto e regiões como São Sebastião e Paranoá, utilizando veículos do padrão BRT para aumentar a capacidade e reduzir o tempo de viagem.

Além disso, a Secretaria de Obras destacou a construção do Corredor Eixo Oeste, que visa integrar regiões como Sol Nascente e Ceilândia à área central de Brasília, proporcionando mais fluidez e eficiência ao transporte coletivo. Com aproximadamente 38,7 km de extensão, o corredor já está parcialmente em operação e espera-se uma redução de pelo menos 25 minutos no tempo de deslocamento entre Sol Nascente e o Eixo Monumental.

Essas iniciativas são vistas como passos importantes para enfrentar o desafio da mobilidade urbana no Distrito Federal, mas ainda há um longo caminho a percorrer para garantir um transporte público eficiente e acessível para todos os moradores da região.

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