Por mais de dois séculos, cientistas têm se esforçado para determinar o valor exato da constante gravitacional universal, conhecida como ‘big G’. Esta constante é crucial para entender a força da gravidade no universo, influenciando desde a queda de objetos na Terra até o movimento das galáxias. No entanto, a comunidade científica ainda não chegou a um consenso sobre seu valor preciso.
Stephan Schlamminger, físico do National Institute of Standards and Technology (NIST), dedicou quase uma década de sua carreira a medir essa constante com precisão excepcional. Ele e sua equipe recriaram um experimento francês famoso, realizado pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), para medir o ‘big G’. O objetivo era verificar se uma equipe independente nos Estados Unidos poderia obter o mesmo resultado.
Para evitar qualquer viés, Schlamminger pediu a seu colega Patrick Abbott que subtraísse secretamente um valor dos dados experimentais. Esse número permaneceu desconhecido até que Schlamminger abrisse um envelope lacrado, o que ocorreu durante uma conferência em Aurora, Colorado. A expectativa era que o valor secreto fosse grande e negativo para que os resultados do NIST se alinhassem com o experimento francês. No entanto, o valor foi grande demais, indicando uma discrepância significativa.
Após anos de análise adicional, os resultados foram publicados na revista Metrologia, revelando que o valor medido para G foi 6.67387×10-11 metros3/kilograma/segundo2, 0,0235% menor que o medido na França. Embora essa diferença pareça pequena, é significativa para os físicos, pois a maioria das outras constantes fundamentais é conhecida com muito mais precisão.
Os experimentos do BIPM e do NIST usaram um dispositivo chamado balança de torção, que mede forças extremamente pequenas pela torção de um fio fino. Essa técnica remonta a Henry Cavendish, que realizou um experimento pioneiro em 1798. As versões modernas incluem massas cilíndricas de metal e utilizam forças eletrostáticas para obter medições independentes de G.
Além disso, a equipe de Schlamminger testou massas de cobre e safira para verificar se o material influenciava a medição, mas os resultados foram quase idênticos, sugerindo que a composição não era responsável pela discrepância.
Apesar de não resolver o mistério em torno do ‘big G’, o experimento adicionou um importante ponto de dados ao crescente corpo de evidências. Schlamminger, após uma década de dedicação, declarou que está pronto para deixar a questão para as futuras gerações de cientistas.
Segundo o Science Daily, essas pequenas inconsistências, ao longo da história científica, às vezes apontaram para grandes descobertas e revelaram lacunas ocultas nas teorias existentes.
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