Inteligência artificial revela centenas de novos geoglifos nas Linhas de Nazca

Um dos famosos geoglifos das Linhas de Nazca, no Peru. (Foto: www.popularmechanics.com)

Uma revelação surpreendente desafia a compreensão da antiga cultura Nazca, com a descoberta de 248 novos geoglifos no deserto peruano. Utilizando a tecnologia de inteligência artificial, o total de figuras conhecidas agora se eleva a 893, conforme um estudo na Proceedings of the National Academy of Sciences.

As misteriosas Linhas de Nazca, criadas entre 200 a.C. e 700 d.C., continuam a intrigar arqueólogos e entusiastas da história. Com representações que variam de formas geométricas a animais selvagens, elas oferecem uma janela para os rituais e crenças das culturas pré-colombianas do Peru.

Uma equipe japonesa, em parceria com a IBM, liderou a pesquisa que acelerou a identificação dos geoglifos em uma velocidade 20 vezes maior que os métodos tradicionais. Johny Isla, arqueólogo chefe das Linhas de Nazca no Peru, destacou que o trabalho que antes demandava anos agora pode ser concluído em poucos dias.

Entre as novas descobertas, uma figura intrigante de uma orca empunhando uma faca se destaca, aludindo a sacrifícios humanos, como evidenciado em cerâmicas Nazca. Masato Sakai, da Universidade de Yamagata, sugere que essa figura simboliza a função ritualística das orcas como seres sacrificiais.

As linhas são classificadas em dois tipos: geoglifos de linha, visíveis de grandes altitudes, e geoglifos de relevo, menores e de difícil detecção. A inteligência artificial identificou mais de 500 novos candidatos a geoglifos, dos quais 160 são figurativos.

Geoglifos de relevo, encontrados próximos a trilhas, sugerem que foram criados para serem vistos por pequenos grupos em movimento. Já os de linha, associados a rituais, foram desenhados para serem contemplados pelos deuses Nazca, situando-se em caminhos cerimoniais.

A pesquisa recente aprimorou o entendimento sobre os geoglifos de relevo, revelando diferenças de estilo, tamanho e propósito em relação aos de linha. O estudo argumenta que ambos os tipos serviam a propósitos distintos, refletindo a complexidade cultural da antiga civilização Nazca.

Para Masato Sakai, a busca por novos geoglifos está longe de acabar. Em entrevista à agência de notícias Andina, ele revelou que mais de 600 candidatos ainda aguardam análise, com a expectativa de que o número total de figuras ultrapasse mil.

Essas descobertas não apenas enriquecem o patrimônio arqueológico do Peru, mas também proporcionam uma visão dos mistérios dos povos antigos. O uso de inteligência artificial na arqueologia promete revolucionar a forma como compreendemos e preservamos nosso passado, conforme destacou a Popular Mechanics.


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