Pesquisadores australianos identificaram o primeiro registro arqueológico global de humanos alimentando ritualmente um túmulo por séculos. O estudo, publicado no periódico Australian Archaeology, revela que ancestrais do povo aborígene Barkindji enterraram um dingo há cerca de 950 anos e mantiveram a tradição de depositar mexilhões de rio sobre a sepultura por quase cinco séculos.
Análises de datação por radiocarbono confirmaram a continuidade do ritual. A arqueóloga Amy Way, da Universidade de Sydney e do Museu Australiano, destacou que a descoberta evidencia laços profundos entre comunidades indígenas e a fauna local, comparáveis a práticas rituais em santuários ancestrais ao redor do mundo.
O zooarqueólogo Loukas Koungoulos, da Universidade da Austrália Ocidental, ressaltou que a interpretação do sítio só foi possível graças ao conhecimento tradicional dos anciãos Barkindji. Sem essa perspectiva, as camadas de conchas poderiam ter sido confundidas com resíduos alimentares, obscurecendo o significado ritualístico do local.
O dingo, chamado de garli na língua Barkindji, era um macho de 4 a 7 anos quando morreu. Análises biológicas revelaram lesões traumáticas curadas em suas pernas e costelas, indicando cuidados intensivos por parte dos humanos para sua recuperação.
O ancião Badger Bates, do povo Barkindji, localizou o sítio arqueológico em parceria com o arqueólogo Dan Witter, do Serviço de Parques Nacionais e Vida Selvagem da Austrália. A escavação foi realizada recentemente para preservar o esqueleto, ameaçado por erosão e inundações na bacia do rio Darling.
O estudo, desenvolvido em colaboração com o Conselho de Anciãos Aborígenes de Menindee, reforça a importância do conhecimento milenar dos povos originários na compreensão de práticas culturais complexas. Segundo o portal Live Science, a descoberta amplia a compreensão sobre rituais funerários na Oceania e a relação simbiótica entre humanos e animais na história.
Leia mais sobre o assunto na livescience.com.
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