Redes de fast-food aceleram adoção de chatbots em drive-thrus nos Estados Unidos

Placa de drive-thru do McDonald's com indicação de funcionamento 24 horas. (Foto: theverge.com)

A inteligência artificial está transformando a experiência nos drive-thrus das principais redes de fast-food dos Estados Unidos, com empresas como McDonald’s, Wendy’s e Taco Bell liderando a implementação de chatbots para atendimento automatizado. A tendência ganhou força após o McDonald’s adquirir a startup Apprente, especializada em tecnologia de conversação por voz, e introduzir sistemas de IA em unidades piloto na cidade de Chicago.

A rede Wendy’s desenvolveu um chatbot batizado de FreshAI em parceria com o Google, projetado para compreender o vocabulário específico da marca, incluindo termos como Frosty para designar milkshakes. A tecnologia demonstrou capacidade de processar 86% dos pedidos sem necessidade de intervenção humana, o que representa um avanço significativo na automação do setor.

Outras redes seguiram caminhos semelhantes na busca por eficiência operacional. As marcas Checkers e Rally’s implementaram chatbots em todos os drive-thrus corporativos nos Estados Unidos, enquanto o Burger King desenvolveu um assistente de IA chamado Patty, que auxilia funcionários na preparação de alimentos e avalia a cordialidade no atendimento ao cliente.

A resistência dos consumidores, porém, permanece como obstáculo relevante para a expansão da tecnologia. Uma pesquisa conduzida pela YouGov revelou que 55% dos americanos preferem interagir com atendentes humanos nos drive-thrus, demonstrando que a aceitação do público ainda não acompanha o ritmo de inovação das empresas.

Essa resistência já provocou recuos estratégicos em algumas redes. O McDonald’s encerrou sua parceria com a IBM para desenvolvimento de sistemas de voz automatizados, enquanto o Taco Bell passou a reconsiderar o uso da tecnologia após críticas intensas nas redes sociais, conforme apontou reportagem do The Verge.

Além dos chatbots de atendimento, as redes de fast-food estão explorando aplicações menos visíveis de inteligência artificial. O McDonald’s testa sistemas preditivos capazes de antecipar falhas em equipamentos de cozinha e utiliza balanças inteligentes para garantir a precisão nas porções servidas aos clientes.

Empresas como Culver’s e Zaxby’s optaram por tecnologias de monitoramento visual em vez de chatbots de voz. Essas redes utilizam câmeras com inteligência artificial para analisar o fluxo de veículos nos drive-thrus, e a empresa Berry AI afirma que a solução pode reduzir o tempo de atendimento em até 40%.

O setor de fast-food movimenta bilhões de dólares anualmente nos Estados Unidos, e a pressão por redução de custos operacionais impulsiona a busca por automação. A escassez de mão de obra no pós-pandemia acelerou investimentos em tecnologia, embora as redes enfrentem o desafio de equilibrar eficiência com a experiência que os consumidores esperam.

A disputa entre gigantes do setor pela liderança em inovação tecnológica deve se intensificar nos próximos anos. Enquanto algumas empresas recuam diante das críticas, outras apostam que a evolução dos sistemas de IA tornará a interação com chatbots indistinguível do atendimento humano.


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