Testes clínicos de medicamentos contra Ebola avançam na África Central

Uma pessoa tem sua temperatura verificada com um termômetro infravermelho, em meio a um surto de Ebola. (Foto: nature.com)

Equipes internacionais coordenadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciaram os preparativos finais para testes clínicos de dois medicamentos experimentais contra o vírus Ebola Bundibugyo, que atinge a República Democrática do Congo e Uganda. O surto já registra 336 casos suspeitos e 88 mortes, segundo dados mais recentes.

A ausência de vacinas ou tratamentos aprovados para essa cepa específica do vírus torna a iniciativa urgente. Os estudos avaliarão a eficácia do antiviral remdesivir, produzido pela empresa estadunidense Gilead Sciences, e do coquetel de anticorpos MBP134, desenvolvido pela Mapp Biopharmaceuticals, sediada na Califórnia.

Amanda Rojek, pesquisadora clínica da Universidade de Oxford, afirmou que as equipes trabalham sem interrupções para garantir o início dos testes assim que as autorizações locais forem emitidas. Os estoques dos medicamentos pertencem à Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Biomédico Avançado (BARDA) dos EUA, o que levanta questionamentos sobre a autonomia dos países africanos na gestão de crises sanitárias.

O remdesivir já foi utilizado em surtos anteriores no Congo e durante a pandemia de covid-19, mas apresentou eficácia limitada em estudos controlados. Já o MBP134 mostrou resultados promissores em testes com primatas não humanos, permitindo a recuperação completa de animais em estágio avançado da doença.

Virologistas destacam que o atual surto representa uma oportunidade crítica para validar medicamentos desenvolvidos nos últimos anos sob condições reais. A cooperação entre nações africanas e organismos multilaterais será decisiva para garantir proteção efetiva às populações afetadas.

Além das terapias experimentais, as autoridades avaliam a adaptação de vacinas já aprovadas para outras cepas do Ebola ao atual surto. A OMS coordena os esforços para conter a disseminação da doença, que já mobiliza equipes em campo.

Leia mais sobre o assunto na nature.com.


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