Pesquisadores confirmaram pela primeira vez o uso funerário de vasos de pedra milenares no Planalto de Xieng Khouang, em Laos, após análise de um recipiente com 1.200 anos contendo restos mortais de múltiplas gerações.
O estudo, conduzido por arqueólogos da James Cook University e da Universidade Nacional Australiana, analisou o Vaso 1 no Sítio 75, um dos maiores da Planície de Vasos, que abriga mais de 2.000 estruturas de pedra esculpida na região nordeste do país.
Nicholas Skopal, líder da pesquisa, destacou que o vaso preservou ossos humanos em condições excepcionais, permitindo identificar um ritual de sepultamento secundário. Crânios foram dispostos nas bordas, enquanto ossos longos foram agrupados no centro, sugerindo um processo de reorganização dos restos após decomposição inicial.
Análises de radiocarbono revelaram que os ossos foram depositados entre os séculos IX e XII, indicando uso contínuo do vaso por várias gerações. Além dos restos humanos, foram encontradas contas de vidro colorido de origem indiana, evidenciando conexões comerciais da civilização local com rotas continentais.
Anna Pineda, coautora do estudo, afirmou que a descoberta encerra décadas de debates sobre a função desses vasos. Embora o uso funerário agora esteja confirmado, ainda não se sabe se a prática era comum em toda a região.
Os pesquisadores planejam novas escavações e análise de DNA antigo para entender melhor as relações entre os indivíduos sepultados e a extensão dessa tradição no Sudeste Asiático.
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