A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que Lula abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro e voltou a se aproximar de uma vitória no primeiro turno.
No principal cenário estimulado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 47% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro vem em segundo, com 34,3%. Renan Santos registra 6,9%, Romeu Zema tem 5,2% e Ronaldo Caiado marca 2,7%.
O dado mais importante está na soma dos adversários. No sistema eleitoral brasileiro, a eleição só vai ao segundo turno se nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos válidos. Com 47% dos votos totais e a oposição fragmentada, Lula se coloca muito perto da linha que poderia encerrar a disputa já na primeira rodada.
A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, e é a primeira grande medição nacional após a revelação das conexões entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio e tem margem de erro de um ponto percentual.
O resultado mostra uma mudança expressiva no ambiente político. Em abril, a AtlasIntel/Bloomberg apontava um cenário muito mais apertado, com Lula liderando o primeiro turno, mas Flávio competitivo no segundo. Naquela rodada, Lula tinha 46,6% contra 39,7% de Flávio no primeiro turno. Agora, o presidente mantém patamar semelhante, mas o senador cai para 34,3%.
A queda de Flávio é o centro da nova conjuntura. O senador vinha tentando se consolidar como herdeiro natural do bolsonarismo, mas o caso Vorcaro atingiu sua candidatura no momento mais sensível: antes da largada oficial, quando ainda precisava ampliar apoio entre eleitores moderados e de centro.
Segundo a Reuters, o levantamento foi realizado após o The Intercept Brasil revelar que Flávio teria negociado um compromisso de R$ 134 milhões, cerca de US$ 26,85 milhões, com Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades, confirmou que Vorcaro havia aceitado financiar a produção e afirmou que se tratava de um “patrocínio privado”, sem favores em troca.
O problema político é que Vorcaro não é um empresário comum. Ele está preso desde março, acusado de tentar subornar um ex-diretor do Banco Central, acusação que nega. O vínculo com um banqueiro investigado em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país passou a contaminar a imagem de Flávio e reduziu sua capacidade de se apresentar como alternativa estável a Lula.
No segundo turno, a mudança também é forte. Lula aparece com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. Em abril, o cenário era praticamente empate: Flávio tinha 47,8%, contra 47,5% de Lula. Ou seja, em menos de um mês, a disputa saiu de empate técnico para uma vantagem de 7,1 pontos do presidente.
Esse deslocamento confirma o que os trackings diários da Atlas já indicavam. Na sexta-feira, 15 de maio, dados obtidos pela CNN Brasil mostravam Lula com 49,1% no segundo turno, contra 42,6% de Flávio. Em votos válidos, o placar era de 54% para Lula e 46% para o senador.
A leitura inicial dos pesquisadores, segundo a CNN, era de que o impacto do caso Vorcaro atingiu principalmente eleitores indecisos de perfil moderado e de centro. Esse é justamente o eleitorado que decide uma eleição presidencial apertada.
O contraste com o Datafolha também é importante. A pesquisa divulgada em 16 de maio mostrava Lula e Flávio empatados no segundo turno, mas foi feita antes de o escândalo alcançar seu maior impacto público. A Atlas, por ter sido realizada entre 13 e 18 de maio, captou melhor a onda de desgaste provocada pelos áudios e revelações sobre o financiamento do filme.
O resultado coloca a direita diante de um dilema. Flávio Bolsonaro ainda mantém força relevante, com 34,3% no primeiro turno, mas perdeu fôlego no momento em que precisava demonstrar crescimento. Se continuar caindo, partidos conservadores terão de decidir se insistem no sobrenome Bolsonaro ou se buscam outro nome para tentar impedir uma vitória de Lula.
A fragmentação dos demais candidatos favorece o presidente. Renan Santos, Zema e Caiado somam juntos 14,8%. Mesmo reunidos, não ameaçam a liderança de Lula. O problema para a direita é que nenhum deles aparece, neste momento, com força suficiente para substituir Flávio de forma imediata.
Para Lula, a pesquisa oferece o melhor cenário desde o início da sequência de levantamentos recentes. O presidente lidera o primeiro turno, abre vantagem no segundo e vê o principal adversário mergulhar em uma crise que mistura dinheiro, banco investigado, filme político e contradições públicas.
Ainda não há eleição definida. A campanha oficial não começou, o cenário pode mudar e trackings captam movimentos de curto prazo. Mas a fotografia da Atlas é dura para o bolsonarismo: Flávio caiu, Lula cresceu no confronto direto e a possibilidade de vitória no primeiro turno voltou ao centro do debate.
O recado político é claro. O caso Vorcaro não foi apenas uma crise de imagem. Ele virou dano eleitoral mensurável. E, se novas revelações continuarem surgindo, a candidatura de Flávio pode deixar de ser o caminho da direita para 2026 e se transformar no principal obstáculo para impedir a reeleição de Lula.