Enterrada por mais de 3.000 anos, a Cidade Perdida de Luxor emergiu das areias egípcias, revelando um mundo antigo congelado no tempo. Descoberta em 2020 por uma equipe arqueológica liderada por Zahi Hawass, esta vasta metrópole, localizada perto da moderna Luxor, oferece um vislumbre fascinante da vida cotidiana no Egito Antigo.
Inicialmente, a equipe buscava o templo mortuário de Tutancâmon, mas em vez disso encontrou uma cidade inteiramente preservada. O assentamento, conhecido como a Ascensão de Aten, data do reinado do faraó Amenhotep III, um dos mais poderosos governantes da história egípcia.
Conforme relatado pela Times of India, as escavações revelaram ruas, oficinas, cozinhas e até áreas de armazenamento de alimentos em condições notavelmente boas. Elementos como paredes de tijolos de barro ainda de pé e objetos do cotidiano espalhados pelos cômodos sugerem uma preservação comparável à de Pompeia.
Durante o reinado de Amenhotep III, o Egito expandiu suas redes de comércio internacional, acumulando imensas riquezas. A Ascensão de Aten serviu como um centro administrativo e industrial vital, apoiando projetos de construção real e a economia do império.
Os arqueólogos encontraram selos reais estampados em tijolos de barro por todo o local, indicando controle direto do estado sobre o assentamento. Tais descobertas refletem o nível de organização com que o Egito gerenciava trabalho, recursos e produção em sua era dourada.
O vínculo da cidade com Aten, a divindade do disco solar, também a torna historicamente significativa. Aten mais tarde se tornaria central na revolução religiosa introduzida por Akhenaton, filho de Amenhotep III, marcando uma transição do politeísmo tradicional para uma controversa experiência monoteísta.
As descobertas mais intrigantes envolvem as áreas de produção de alimentos dentro da Cidade Perdida de Luxor. Um complexo de padaria foi desenterrado, contendo fornos, vasos de cerâmica e potes de armazenamento com vestígios de alimentos antigos.
Alguns potes ainda continham carne seca, grãos e outros restos alimentares, oferecendo um raro vislumbre das rotinas diárias dos egípcios comuns. Um vaso em particular possuía uma inscrição hierática identificando o conteúdo, o ano de preparo e o nome do açougueiro responsável pela carne.
Os workshops da cidade revelam como os grandes templos do Egito foram construídos. Muitas oficinas foram encontradas com itens de vidro, azulejos ornamentais e amuletos, incluindo escaravelhos, fabricados por artistas do Egito Antigo.
De acordo com os arqueólogos, essas oficinas existiam para realizar o trabalho de construção dos templos na antiga Tebas. Até mesmo os tijolos de barro fabricados aqui ostentavam o selo oficial de Amenhotep III, reforçando a importância da cidade na máquina estatal egípcia.
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