A Colossal Biosciences, uma empresa de biotecnologia, está desenvolvendo ovos artificiais para o crescimento de aves, utilizando tecnologia de impressão 3D. Os pintinhos estão sendo cultivados em recipientes plásticos transparentes na sede da empresa em Dallas, em vez de ovos tradicionais. A empresa afirma ter criado um ‘ovo totalmente artificial’ como parte de seus esforços para ressuscitar espécies de aves extintas, como o dodô e o moa gigante.
O que a Colossal descreve como ‘casca de ovo artificial’ é, na verdade, uma estrutura oval impressa revestida com uma membrana especial à base de silicone que permite a entrada de oxigênio, assim como uma casca de ovo real. Para gerar as aves, a empresa transferiu cuidadosamente o conteúdo de ovos de galinha recentemente postos para essas cascas artificiais, onde continuaram a crescer. Um visor na parte superior permite que os pesquisadores observem o desenvolvimento dos embriões.
Andrew Pask, diretor de biologia da Colossal, afirmou que ver os pintinhos se movendo em seus ovos artificiais foi uma experiência impressionante, reforçando a ideia de que é possível cultivar vida fora do útero. Fundada em 2021, a Colossal já levantou mais de 800 milhões de dólares para a criação ‘escalável e controlável’ de animais. A tecnologia dos ovos artificiais pode ajudar na conservação de espécies de aves ameaçadas e na recriação do moa gigante, um pássaro não voador de 3,6 metros que viveu na Nova Zelândia.
No entanto, a recriação do moa ainda está distante, pois seria necessário estudar dados de DNA de ossos antigos e inserir milhares de alterações genéticas no genoma de uma ave existente, uma tarefa tecnicamente desafiadora. Alguns cientistas criticam a Colossal por exagerar suas realizações, como no caso do ovo artificial, que foi anunciado em um vídeo no YouTube como a solução para a questão de qual veio primeiro, o ovo ou a galinha.
O vídeo foi criticado por ser hollywoodiano e por antagonizar cientistas que já trabalham na tecnologia há anos. Katsuya Obara, da Universidade de Tsukuba no Japão, que em 2024 chocou galinhas sob filme plástico transparente, considera a afirmação da Colossal um exagero. Segundo Obara, a tecnologia é uma modificação de métodos existentes, já que o cultivo de aves em recipientes artificiais remonta a 1998, quando um grupo japonês conseguiu fazê-lo com codornas.
O avanço da Colossal pode estar na membrana especial que permite maior acesso ao oxigênio, uma melhoria em relação a sistemas anteriores que exigiam suplementação de gás. O desenvolvimento dos ovos artificiais foi realizado pela equipe de desenvolvimento exógeno da Colossal, que também está tentando criar úteros artificiais para mamíferos, começando com marsupiais. Para Pask, o ovo artificial é uma vitória técnica relativamente rápida e fácil, já que as galinhas são um exemplo de desenvolvimento ex utero.
Para criar um moa, a Colossal teria que alterar geneticamente outro tipo de ave, mudando potencialmente milhares de letras de DNA. Até agora, apenas galinhas podem ser geneticamente modificadas, através de um processo complexo de edição de células-tronco que produzem óvulos e espermatozoides. Helen Sang, professora emérita do Instituto Roslin no Reino Unido, questiona se um embrião de moa poderia sobreviver com a gema de um ovo de galinha, dadas as diferenças evolutivas significativas.
A quantidade de gema em um ovo de galinha seria insuficiente para sustentar o muito maior pintinho de moa. Pask sugere que o ovo artificial pode ser útil nesse contexto, permitindo a ampliação do tamanho da gema. Até agora, o ovo artificial tem funcionado bem para galinhas, com 26 pintinhos chocados, o que levou o CEO da empresa a pedir uma pausa no experimento devido ao grande número de aves.
Segundo agências internacionais, a Colossal continua a explorar novas fronteiras na biotecnologia, buscando não apenas a preservação de espécies, mas também a inovação em técnicas de reprodução.
Com informações de TECHNOLOGYREVIEW.
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