A Colossal Biosciences, uma empresa de biotecnologia sediada no Texas, anunciou um avanço significativo em seus esforços para ressuscitar espécies de aves extintas. A empresa revelou que 26 pintinhos vivos foram chocados a partir de estruturas de favo de mel impressas em 3D, projetadas para imitar cascas de ovos. Este desenvolvimento é considerado um passo crucial em direção ao objetivo de trazer de volta à vida aves extintas, como o dodô e o moa gigante da Ilha Sul.
Os pesquisadores da Colossal Biosciences afirmam que as estruturas artificiais podem ser ampliadas para acomodar espécies extintas que produzem ovos muito maiores. O moa gigante, por exemplo, que desapareceu da Nova Zelândia há cerca de 600 anos, colocava ovos com volumes significativamente maiores do que os de galinhas ou emas modernas. Trevor Snyder, bioengenheiro da empresa, destacou que não há aves atualmente capazes de abrigar um embrião de moa em seus ovos, tornando necessária a criação de ovos artificiais para apoiar esses embriões.
O design das cascas artificiais inclui uma membrana de silicone transparente que permite a entrada de oxigênio atmosférico, semelhante a uma casca de ovo real. No entanto, elementos como os quatro órgãos temporários, ou “membranas embrionárias”, que suportam a nutrição, respiração e excreção durante o desenvolvimento do pintinho, não foram incorporados. Os embriões de galinha, juntamente com as gemas e claras de ovo, foram transferidos para as cascas artificiais dentro de 36 a 40 horas após serem postos, e os recipientes foram colocados em uma incubadora com adição de cálcio.
Apesar do entusiasmo em torno da tecnologia, a Colossal Biosciences não divulgou a proporção de ovos de galinha transferidos que realmente chocaram com sucesso. Além disso, a empresa não publicou um artigo pré-impresso ou revisado por pares sobre a conquista e não planeja fazê-lo, o que dificulta a avaliação do processo e dos resultados por pesquisadores externos. Paul Mozdziak, biólogo da Universidade Estadual da Carolina do Norte, expressou ceticismo sobre o impacto real sem dados concretos.
Por outro lado, especialistas como Ben Novak, ecologista da Revive & Restore, e Neil Gostling, paleobiólogo da Universidade de Southampton, expressaram entusiasmo com o potencial da tecnologia. Novak acredita que a inovação pode beneficiar imediatamente zoológicos e instalações de reprodução para conservação, enquanto Gostling a descreveu como “fantástica” e “notável”.
O anúncio da Colossal Biosciences é parte de seus planos ambiciosos de trazer de volta várias espécies extintas. A empresa já havia utilizado técnicas de edição genética para criar “ratos lanosos” e afirmou ter montado o genoma mais completo do tilacino até hoje. No entanto, há preocupações de que o foco em “desextinção” possa desviar recursos de esforços para proteger espécies ameaçadas ainda vivas.
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