A Rodoeste Transporte e Turismo LTDA, conhecida como Via Brasil Mobilidade e Turismo, está sob pressão para desocupar um terreno público no Sol Nascente, Distrito Federal. A Terracap, responsável pela gestão de terras no DF, identificou a ocupação irregular de uma área de preservação permanente, o Parque do Pequizeiro, e notificou a empresa. O DF Legal estipulou um prazo de 30 dias para que a empresa demole a garagem construída no local.
O caso chamou a atenção após o portal Metrópoles revelar que a Rodoeste utilizou um documento falsificado para justificar a ocupação do terreno. A empresa havia conseguido uma liminar judicial para impedir a demolição, mas, com a queda da liminar, o Ministério Público do Distrito Federal solicitou ao DF Legal a desobstrução da área. Em abril, a empresa recebeu um auto de intimação demolitória.
O Parque do Pequizeiro está inserido na Zona Urbana de Ocupação Controlada da Macrozona, conforme o Plano Diretor de Ordenamento Territorial. A área é caracterizada por restrições devido à sensibilidade ambiental e à necessidade de proteção dos mananciais para abastecimento público. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal destaca que o uso do solo deve ser compatível com a conservação dos recursos naturais.
Informações obtidas pela reportagem indicam que a Rodoeste apresentava uma suposta autorização da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) para justificar sua presença no local. No entanto, a Codhab negou a legitimidade do documento, afirmando que o terreno não pertence a ela e que qualquer autorização seria uma fraude. A companhia alertou para a necessidade de denúncia à Polícia Civil do Distrito Federal caso algum documento fraudulento fosse identificado.
Apesar da negativa da Codhab, a Terracap havia permitido, em janeiro de 2024, que a empresa utilizasse o local. Posteriormente, foi constatado que a Rodoeste ocupava irregularmente uma área de mais de 8.000 metros quadrados além do contratado, levando à revogação do termo de permissão de uso.
Os sócios da Rodoeste, Pedro Henrique Viegas de Oliveira e Ana Rosa de Oliveira, têm ligações com Ronaldo de Oliveira, condenado por lavagem de dinheiro público. Após as denúncias, a empresa mudou seu nome para Via Brasil Mobilidade e Turismo LTDA, com Pablo Henrique Viegas de Oliveira como sócio.
Em junho de 2025, a reportagem visitou o local e encontrou paredes de concreto e latão cercando o espaço, que anteriormente era utilizado por moradores para lazer. Câmeras de segurança foram instaladas para monitorar a área, e a placa de identificação da empresa foi removida após a denúncia sobre o uso de documento falso.
Um morador local, que preferiu não se identificar, relatou que a empresa ocupou o espaço destinado a esporte e lazer desde meados de 2024. Ele expressou a frustração da comunidade com a falta de ação das autoridades e a importância do parque para os moradores. O Metrópoles tentou contato com a Rodoeste, mas não obteve resposta até a última atualização.
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