Empresário acusado de vender respiradores usados como novos na pandemia fecha acordo com Ministério Público

Paciente internado em leito de UTI com respirador mecânico. (Foto: metropoles.com)

O empresário Diolindo Taveira Filho, investigado por comercializar ventiladores pulmonares usados como se fossem equipamentos novos durante a pandemia de Covid-19, firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Federal. A medida permite que o acusado evite um processo judicial após admitir irregularidades em contratos de fornecimento de equipamentos médicos destinados ao combate à crise sanitária.

A investigação conduzida pela Polícia Federal revelou que a empresa de Taveira Filho forneceu respiradores usados a dois municípios do Maranhão: Estreito e Amarante do Maranhão. Os contratos fraudulentos foram financiados com recursos do governo federal repassados especificamente para o enfrentamento da emergência de saúde pública provocada pelo coronavírus.

Embora os termos específicos do acordo não tenham sido divulgados publicamente, os ANPPs costumam incluir a confissão formal do crime e o pagamento de valores como forma de reparação. A homologação do acordo pela Justiça Federal está prevista para ocorrer ainda em maio, conforme apurou o portal Metrópoles.

O Maranhão foi um dos estados severamente afetados pela pandemia, registrando mais de 503 mil casos confirmados e aproximadamente 11 mil óbitos por Covid-19. A escassez de equipamentos médicos adequados durante os picos da crise sanitária agravou a situação nos hospitais da região, tornando ainda mais grave a conduta investigada.

O caso expõe as fragilidades no controle de contratos emergenciais firmados durante a pandemia, quando a urgência na aquisição de insumos médicos abriu brechas para práticas fraudulentas. A venda de respiradores usados como novos comprometeu diretamente a capacidade de atendimento a pacientes graves em unidades de terapia intensiva.

O indiciamento de Taveira Filho pela Polícia Federal ocorreu após a conclusão do inquérito que apurou as irregularidades nos contratos com os municípios maranhenses. A opção pelo acordo de não persecução penal representa uma alternativa ao processo criminal tradicional, permitindo a responsabilização do acusado de forma mais célere.


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