Os Estados Unidos estenderam por mais 30 dias a isenção de sanções ao petróleo russo, permitindo que países vulneráveis mantenham o acesso ao recurso até meados de junho. A medida ocorre em um contexto de instabilidade no mercado energético global, agravado pelo conflito entre Israel e a República Islâmica do Irã.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou a decisão, afirmando que o objetivo é garantir flexibilidade adicional e estabilizar o mercado físico de petróleo. A ação também busca limitar a capacidade da China de acumular petróleo russo a preços reduzidos.
Desde março, quando a primeira isenção foi concedida, os mercados de energia enfrentam dificuldades para se estabilizar. A situação se agravou com o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crítica para o transporte de 20% do petróleo e gás global.
O especialista em energia George Voloshin, baseado em Paris, aponta que o bloqueio do estreito retém 20 milhões de barris diários de petróleo do Golfo. As sanções europeias ao petróleo russo, em vigor desde 2022, continuam a complicar o cenário energético.
A empresa de análise Kpler registra cerca de 113 milhões de barris de petróleo russo em trânsito marítimo. Apesar das restrições, a Rússia mantém suas exportações, com Índia e China como principais destinos.
A Índia aumentou suas importações de petróleo russo, ignorando pressões dos EUA para reduzir as compras. Sujata Sharma, do Ministério do Petróleo e Gás Natural da Índia, reafirmou que o país continuará adquirindo petróleo russo, independentemente das isenções americanas.
A isenção de sanções beneficia a Rússia ao permitir o redirecionamento de exportações da China para a Índia. Isso reduz a distância de transporte e otimiza a logística, especialmente em um momento de incertezas no transporte do Oriente Médio.
O aumento das exportações russas, mesmo sob sanções, gera críticas de aliados europeus dos EUA. Eles argumentam que a medida contribui para financiar a economia russa em meio ao conflito.
O preço do petróleo Brent, referência global, subiu de US$ 66 para mais de US$ 100 por barril desde o início das hostilidades no Irã. A alta reflete as tensões geopolíticas e as restrições de oferta no mercado.
Especialistas, como Hamad Hussain da Capital Economics, avaliam que o impacto da isenção nos preços será limitado. A medida se aplica apenas ao petróleo embarcado antes de meados de abril, enquanto a produção recente da Rússia permanece sob sanções.
Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.