Flávio tenta barrar pesquisa no TSE após queda e transforma derrota eleitoral em guerra jurídica

REPRODUÇÃO

Flávio Bolsonaro entrou no TSE para tentar suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg depois que o levantamento mostrou queda de sua candidatura e vantagem de Lula em 2026.

O movimento foi feito pelo PL, partido do senador, que pediu liminar ao Tribunal Superior Eleitoral contra a pesquisa divulgada nesta terça-feira, 19 de maio. A legenda alega que o questionário teria direcionado negativamente os entrevistados ao tratar das conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações são do Metrópoles.

A reação ocorre no pior momento da pré-campanha bolsonarista. Segundo a Atlas, Flávio caiu seis pontos percentuais desde abril e aparece com 41,8% em um eventual segundo turno contra Lula, que marca 48,9%. A distância de 7,1 pontos virou o primeiro sinal eleitoral concreto de que o caso Vorcaro deixou de ser apenas crise de imagem e passou a atingir intenção de voto.

No pedido ao TSE, o PL afirma que oito das 48 perguntas da pesquisa tratam do suposto envolvimento de Flávio com o dono do Master. Para os advogados do partido, a sequência do questionário criaria uma progressão negativa envolvendo medo eleitoral, Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas, impacto no voto e eventual retirada da candidatura.

A legenda sustenta ainda que a pesquisa poderia produzir “manchetes e narrativas de campanha” a partir de respostas obtidas depois de estímulo negativo. O partido pediu que o TSE suspenda a divulgação do levantamento, determine o fornecimento de microdados e aplique multa à AtlasIntel por supostas irregularidades.

A AtlasIntel nega irregularidades. O CEO do instituto, Andrei Roman, afirmou que “não há nenhum problema metodológico” e disse que o áudio foi reproduzido depois da conclusão do questionário eleitoral, sem impacto sobre os cenários de voto. Em nota, o instituto declarou que nenhum entrevistado teve acesso ao áudio antes ou durante o preenchimento da pesquisa e que não pôde alterar respostas depois da submissão.

A disputa jurídica mostra o tamanho do estrago político. Flávio vinha tentando se consolidar como herdeiro natural do bolsonarismo para enfrentar Lula, mas o caso Vorcaro atingiu justamente sua capacidade de crescer fora da base fiel da direita.

O escândalo ganhou força após a revelação de mensagens e áudios em que Flávio aparece tratando com Vorcaro do financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. A Reuters informou que o senador negociou um compromisso de US$ 24 milhões para bancar a obra. Flávio confirmou que Vorcaro havia aceitado financiar o filme, mas afirmou que se tratava de “patrocínio privado”, sem favores em troca.

O problema é que Vorcaro não é um empresário comum. Ele é o ex-controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro em meio a investigações sobre carteiras de crédito fraudulentas. Segundo a Reuters, o banqueiro foi preso em março, acusado de subornar um ex-diretor do Banco Central, dentro de um escândalo que ameaça figuras importantes do establishment político brasileiro.

A Associated Press informou que Flávio havia pedido inicialmente R$ 61 milhões, cerca de US$ 12 milhões, para produzir o filme sobre o pai, e que a Polícia Federal estima a fraude total do caso Master em aproximadamente R$ 12 bilhões. A agência também registrou que, antes das mensagens virem a público, Flávio disse a jornalistas que não tinha associação com Vorcaro.

Essa mudança de versão pesa mais do que qualquer detalhe técnico da pesquisa. O eleitor vê uma sequência simples: Flávio negou relação, os áudios apareceram, ele admitiu contato e agora tenta barrar o levantamento que mediu o impacto político do episódio.

A ida ao TSE pode até agradar a base bolsonarista mais fiel, que costuma reagir à imprensa e aos institutos de pesquisa com desconfiança. Mas, para o eleitor moderado, o gesto pode reforçar a imagem de uma candidatura acuada, mais preocupada em questionar o termômetro do que em enfrentar a febre.

O caso também muda o ambiente interno da direita. Se Flávio continuar caindo, partidos conservadores terão de decidir se insistem no sobrenome Bolsonaro ou se buscam outro nome para tentar impedir a reeleição de Lula. A pesquisa questionada pelo PL mostra exatamente o risco que a direita tenta conter: Flávio deixou de ser o candidato competitivo em empate técnico e passou a aparecer sete pontos atrás do presidente.

A tentativa de suspender a pesquisa revela uma inversão política. Até poucos dias atrás, Flávio usava o caso Master para atacar adversários. Agora, precisa explicar sua própria relação com o banqueiro investigado e tenta judicializar o levantamento que captou o desgaste.

O TSE ainda decidirá sobre o pedido do PL. Mas, politicamente, a reação já produziu um efeito: confirmou que a campanha de Flávio entrou em modo de emergência.

Quando um pré-candidato cai nas pesquisas e corre à Justiça Eleitoral para tentar suspender a divulgação dos números, o recado é claro. O problema deixou de ser apenas o áudio. Virou medo de que o eleitor tenha ouvido, entendido e mudado de posição.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.