Cientistas descobrem que cérebro reorganiza constantemente seus códigos

Ilustração editorial sobre Cientistas Descobrem que Cérebro Reorganiza Constantemente seus Códigos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Cientistas descobrem que as representações neuronais no cérebro estão em constante mudança, desafiando a compreensão tradicional da neurociência. A pesquisa, conduzida pela cientista Laura Driscoll e sua equipe, mostra que os neurônios não têm funções fixas, como se acreditava anteriormente.

Driscoll, atualmente na Allen Institute em Seattle, Washington, iniciou seu projeto de doutorado em Harvard em 2012 com o objetivo de estabelecer uma linha de base para a atividade neuronal em camundongos. No entanto, ela observou que as respostas dos neurônios mudavam significativamente ao longo do tempo, mesmo quando o comportamento do animal permanecia o mesmo.

Em um experimento, os cientistas monitoraram a atividade de neurônios no córtex parietal, uma região crucial para o processamento de informações sensoriais, enquanto os camundongos navegavam em um labirinto virtual. Embora as células individuais exibissem padrões de atividade previsíveis no curto prazo, esses padrões sofreram grandes reorganizações após algumas semanas, apesar da tarefa permanecer inalterada.

A pesquisa sugere que a função dos neurônios pode ser mais flexível do que se pensava, e que a atividade de grupos de células, em vez de células individuais, pode ser mais importante para a codificação de informações no cérebro. Essa descoberta, conhecida como ‘representational drift’, tem sido observada em várias regiões do cérebro e através de diferentes técnicas, levando a comunidade científica a aceitar gradualmente a ideia de que a reorganização neuronal é real.

Embora alguns cientistas ainda estejam céticos, a maioria da comunidade está começando a aceitar a ideia de que o cérebro precisa dessa flexibilidade para integrar novas informações e formar memórias. Segundo Andrew Fink, neurocientista da Northwestern University, a descoberta abre possibilidades fascinantes e levanta questões profundas sobre o funcionamento do cérebro.

Os pesquisadores também propõem que o ‘drift’ pode ser crucial para a capacidade do cérebro de manter comportamentos estáveis, mesmo com a constante reorganização das representações neuronais. Além disso, a compreensão deste fenômeno pode ter implicações importantes, desde a decodificação da formação e atualização de memórias até o desenvolvimento de interfaces cérebro-computador e redes neurais artificiais.

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