Cientistas revelam 129 mil anos de história de crocodilos na Austrália

Crocodilo de água salgada descansa em uma margem de rio na Austrália. (Foto: phys.org)

Um novo estudo publicado na Zoological Journal of Linnean Society revela uma fascinante história de 129 mil anos sobre os crocodilianos da Australásia. A pesquisa mostra que a região abrigava não apenas os crocodilos conhecidos hoje, mas também um elenco único de espécies extintas que dominavam os ecossistemas locais.

Os pesquisadores analisaram evidências fragmentárias recuperadas de mais de 20 sítios arqueológicos e paleontológicos na Austrália, Nova Guiné e no sudoeste do Pacífico. Os restos fósseis indicam que os crocodilos modernos compartilharam o ambiente com humanos por milhares de anos.

Os mekosuchinos, um grupo distinto de crocodilianos, governaram a Australásia por mais de 50 milhões de anos. Esses animais impressionantes apresentavam uma variedade surpreendente de formas e tamanhos, incluindo gigantes semi-aquáticos e espécies anãs que habitavam ilhas como Nova Caledônia.

Alguns mekosuchinos possuíam dentes semelhantes a lâminas serradas e provavelmente caçavam suas presas em terra. Na Austrália continental, esses crocodilos extintos são conhecidos apenas por fósseis, datados de mais de 40 mil anos atrás.

Nas ilhas de Nova Caledônia, Vanuatu e Fiji, a história é diferente. Lá, algumas espécies de mekosuchinos sobreviveram até tempos mais recentes e quase certamente encontraram humanos diretamente. Esses crocodilos ilhéus eram menores, atingindo menos de dois metros de comprimento como adultos e provavelmente viviam mais em terra do que os crocodilos semi-aquáticos atuais.

Os registros conhecidos desses crocodilos ilhéus terminaram poucas séculos após a colonização humana. Em vários casos, seus restos foram encontrados associados a artefatos humanos e montes de conchas. Em um exemplo de Vanuatu, um osso de membro de mekosuchino parece ter marcas de roedura de ratos, espécies invasoras introduzidas pelos humanos.

A pesquisa destaca que estamos vivendo a Era Antropocena, quando os humanos influenciam profundamente o planeta e as extinções se aceleram. O passado pré-histórico serve não apenas como um registro de mundos desaparecidos, mas como um aviso para o futuro.

Compreender como predadores de topo como os crocodilos responderam a mudanças climáticas passadas, perturbações ambientais e impactos humanos fornece pistas importantes para sua conservação futura. O estudo enfatiza a necessidade de trabalho conjunto entre paleontólogos, arqueólogos, ecologistas e conservacionistas, assim como o engajamento profundo com os conhecimentos indígenas e gestores de terras.

Os pesquisadores apontam que as observações e histórias de vida dos povos indígenas oferecem pistas valiosas para proteger os crocodilos remanescentes e os ecossistemas ameaçados que habitam. O estudo foi publicado na Zoological Journal of Linnean Society com o DOI: 10.1093/zoolinnean/zlag065.

Fonte: phys.org


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