Kit médico de pompeiano revela sofisticação da medicina romana

Molde de gesso de uma das vítimas da erupção do Monte Vesúvio em Pompeia. (Foto: www.livescience.com)

Um homem que morreu em Pompeia durante a erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. carregava um kit médico consigo, novas análises revelam. O achado, feito dentro de um dos moldes de gesso criados a partir dos corpos das vítimas, indica que o indivíduo provavelmente era um médico — um “medicus” em latim.

A descoberta foi feita durante novas investigações dos moldes criados em 1961 no chamado “Jardim dos Fugitivos”, local onde 13 pessoas morreram enquanto procuravam abrigo durante a catastrófica erupção vulcânica. O grupo foi surpreendido por uma explosão de gases mortais, provavelmente dióxido de carbono e dióxido de enxofre, que matou milhares de pessoas em Pompeia e na vizinha Herculaneum.

Exames recentes mostraram que o homem carregava instrumentos cirúrgicos e outras “ferramentas de sua profissão”, segundo comunicado do Parque Arqueológico Italiano que gerencia o site. Não se sabe se o homem pretendia tratar pessoas afetadas pela erupção ou se estava tentando escapar da desgraça.

“Este homem trouxe suas ferramentas para estar pronto para reconstruir sua vida em outro lugar, graças à sua profissão, mas talvez também para ajudar outros”, afirmou Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, em declaração ao portal Live Science.

Uma pequena caixa feita de “material orgânico” (possivelmente couro) foi encontrada dentro de um dos moldes feitos quando o Jardim dos Fugitivos foi escavado em 1961. No entanto, o conteúdo da caixa permaneceu um mistério até agora.

A nova investigação, que utilizou raios-X e exames de tomografia computadorizada, revelou que a caixa continha vários pequenos instrumentos metálicos, provavelmente ferramentas cirúrgicas, além de uma tabuleta de ardósia, que provavelmente era usada para preparar medicamentos. Ingredientes como mel, vinho, vinagre e extratos vegetais eram comuns na época.

Essas descobertas sugerem que o homem era um medicus treinado em medicina e cirurgia, informou o comunicado. Escravos gregos educados às vezes exerciam essa função, mas até a época da erupção de Vesúvio — quando Tito era imperador romano — a medicina tinha status mais elevado (Júlio César concedeu cidadania romana a todos os médicos em 46 a.C.).

A prática da medicina era valorizada pelos romanos ricos, mas o último recurso da cirurgia envolvia riscos sérios — não havia antibióticos nem anestesia moderna, e os pacientes frequentemente morriam de infecções. Além disso, as causas das doenças não eram bem compreendidas — doenças como malária eram consideradas causadas por “ar ruim” (sob a teoria grega de “miasma”), e os tratamentos médicos romanos frequentemente lidavam com supostas maldições e espíritos malignos.

Outros artefatos encontrados com as vítimas de Vesúvio incluíram chaves de casa e lâmpadas de azeite, e algumas pessoas foram mortas enquanto carregavam joias preciosas e moedas “tesouros” longe da erupção. A vítima considerada medicus também carregava uma pequena bolsa de tecido com moedas de bronze e prata, informou o comunicado.


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