México veta megaprojeto turístico da Royal Caribbean em Mahahual

Ativistas do Greenpeace protestam contra o projeto da Royal Caribbean em Mahahual, no México. (Foto: contralinea.com.mx)

A secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México, Alicia Bárcena, confirmou que o governo federal não aprovará o megaprojeto turístico da Royal Caribbean em Mahahual, Quintana Roo. A declaração foi feita durante a apresentação do Diagnóstico Básico para a Gestão Integral dos Resíduos, segundo o portal Contralinea.

A decisão ocorre após denúncias de ativistas, ambientalistas e organizações civis sobre os possíveis danos ambientais que o complexo turístico poderia causar em uma das regiões ecológicas mais importantes do Caribe mexicano. A área é caracterizada pela convivência entre selva, manguezais, dunas e arrecifes coralinos, abrigando parte do Sistema Arrecifal Mesoamericano, oficialmente o segundo maior do planeta.

“Sabemos que a empresa está buscando desistir do projeto, mas nós como Semarnat não vamos aprovar”, afirmou Alicia Bárcena, referindo-se ao megaprojeto denominado Perfect Day México, impulsionado pela Royal Caribbean.

De acordo com a Manifestação de Impacto Ambiental (MIA), o projeto previa a construção de um parque aquático e turístico com capacidade para receber até 21 mil turistas de cruzeiro por dia, operando com cerca de 2.500 trabalhadores. O complexo ocuparia uma área de 825.808 metros quadrados, além de interferir em zonas da Zona Federal Marítimo Terrestre.

O plano impactaria diretamente áreas de pântanos, manguezais e ecossistemas florestais, habitats de espécies protegidas como o jaguar, a tartaruga branca e diversas espécies marinhas listadas na Norma Oficial Mexicana NOM-059 por estarem em risco de extinção.

Embora a empresa tenha proposto conservar as áreas de manguezal existentes, ambientalistas destacaram que as medidas propostas eram insuficientes frente aos possíveis efeitos das fundações profundas, da alteração do sistema cárstico e dos riscos para o aquífero do qual depende Mahahual.

Nas últimas semanas, organizações ambientais realizaram protestos e convocaram manifestações em frente à Semarnat, exigindo que não fosse autorizada a MIA do projeto. A própria secretaria federal informou que o desenvolvimento ainda estava em processo de avaliação e ainda não contava com autorização ambiental.

“A dependência realiza uma revisão integral da Manifestação de Impacto Ambiental apresentada pelo promotor”, indicou então a Semarnat, ao assinalar que existiam observações técnicas relacionadas à infraestrutura projetada, às medidas de mitigação e aos possíveis impactos sobre os ecossistemas costeiros e marinhos.

Com esta postura, o governo federal adiantou que priorizará a proteção do ecossistema do Caribe mexicano e das espécies que habitam nesta região, considerada estratégica para a biodiversidade do país.


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