Monte Etna revela comportamento vulcânico único na Europa

O Monte Etna, vulcão mais ativo da Europa, com neve e fumaça em sua cratera. (Foto: olhardigital.com.br)

Um estudo publicado recentemente na revista científica JGR Solid Earth traz uma nova explicação para a origem e o comportamento do Monte Etna, considerado o vulcão mais ativo da Europa. Localizado na ilha da Sicília, na Itália, o vulcão registra erupções frequentes há centenas de milhares de anos, algo incomum entre grandes vulcões do planeta.

Os pesquisadores afirmam que o Etna pode funcionar de uma forma diferente da maioria dos vulcões conhecidos. Enquanto muitos passam décadas sem atividade, o vulcão italiano costuma apresentar pequenas erupções várias vezes por ano.

O estudo busca entender por que isso acontece e o que o torna tão singular. Normalmente, os vulcões surgem por três mecanismos principais.

O primeiro ocorre quando placas tectônicas se afastam, abrindo espaço para o magma subir do interior da Terra. Esse processo é mais comum no fundo dos oceanos, onde o material quente do manto terrestre consegue alcançar a superfície.

O segundo mecanismo acontece nas chamadas zonas de subducção. Nelas, uma placa tectônica mergulha sob outra, levando água e outros materiais para regiões profundas do planeta.

Isso reduz a temperatura necessária para derreter as rochas do manto e favorece erupções explosivas, como as observadas no chamado Círculo de Fogo do Pacífico. Já o terceiro processo envolve os chamados pontos quentes do manto.

Nessas regiões, o calor vindo das profundezas enfraquece a crosta terrestre até o magma conseguir escapar. Esse fenômeno é responsável pela formação de áreas vulcânicas como o Havaí.

O problema é que o Monte Etna não se encaixa perfeitamente em nenhum desses modelos. O magma encontrado no vulcão possui características químicas parecidas com as de vulcões formados por pontos quentes.

Porém, não existe nenhum ponto quente conhecido sob a Sicília. Segundo os cientistas, isso ajuda a explicar por que o Etna apresenta erupções menores e mais frequentes.

Em vez de grandes explosões destrutivas, o vulcão representa um risco menor para a população da Sicília em comparação com outros vulcões mais violentos do mundo.

O estudo foi liderado pelo pesquisador Sébastien Pilet, da Universidade de Lausanne, na Suíça. A equipe analisou a composição química das lavas emitidas pelo Etna ao longo de sua história geológica.

Os resultados mostram que a lava se tornou mais alcalina com o passar do tempo, aproximando-se da composição típica de vulcões ligados a pontos quentes. Isso indica que o magma pode vir diretamente do manto superior da Terra.

Os pesquisadores acreditam que o Etna recebe pequenas quantidades de magma constantemente. Essas infusões ocorreriam devido ao choque entre as placas tectônicas africana e eurasiática.

O magma aproveitaria as fraturas criadas na crosta terrestre para subir em direção à superfície. O estudo sugere ainda que o Etna funciona como um ponto de atração para o magma.

Ele pode puxar material vindo de até 50 quilômetros de distância, ajudando a manter o vulcão ativo quase continuamente. Os autores compararam o Etna a um raro tipo de vulcão conhecido como “petit-spot”.

Esses pequenos vulcões submarinos também parecem surgir quando placas tectônicas sofrem rachaduras, permitindo a passagem do magma. Na conclusão do estudo, os pesquisadores afirmam que a atividade incomum do Etna pode ser explicada apenas pela complexa interação entre as placas tectônicas da região.

Assim, não seria necessário imaginar uma composição especial do interior da Terra para justificar o comportamento único do vulcão italiano, segundo apontou o portal Olhar Digital.


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