Ocean Census descobre 1.121 espécies marinhas em um ano

Peixe quimera, parente distante de tubarões e raias, uma das novas espécies marinhas descobertas. (Foto: divemagazine.com)

Oceans Census, iniciativa global liderada por cientistas, identificou 1.121 novas espécies marinhas em apenas um ano, marcando um avanço significativo nos esforços para documentar a vida nos oceanos do mundo. Essas descobertas, realizadas através de 13 expedições diferentes, incluem desde o misterioso tubarão-fantasma quimera até vermes simbióticos em montanhas submarinas no Japão.

A iniciativa The Nippon Foundation-Nekton Ocean Census, em seu terceiro ano, é uma colaboração entre parceiros científicos como JAMSTEC, CSIRO e o Schmidt Ocean Institute, com o objetivo ambicioso de descobrir 100.000 novas espécies até 2030. O projeto utiliza laboratórios móveis e plataformas de identificação impulsionadas por inteligência artificial para acelerar o processo de identificação taxonômica.

Apesar do impressionante número de novas espécies encontradas este ano, os cientistas estimam que até 90% das espécies marinhas permaneçam desconhecidas, destacando a urgência de coletar dados que possam ajudar a proteger o ambiente marinho. Segundo o portal da DIVE Magazine, essas informações são cruciais para formuladores de políticas.

Com muitas espécies em risco de desaparecer antes mesmo de serem documentadas, estamos em uma corrida contra o tempo para entender e proteger a vida oceânica, afirmou a Dra. Michelle Taylor, chefe de Ciência do Ocean Census. Ela explicou que milhares de espécies permaneciam em um limbo científico porque o ritmo da descoberta não acompanhava a necessidade.

p>Entre as descobertas notáveis está o tubarão-fantasma quimera (Chimaera sp. 1), encontrado no Parque Marinho do Mar de Coral, na Austrália, a profundidades entre 802 e 838 metros. Esta espécie, parente distante de tubarões e raias, divergiu para uma linhagem evolutiva distinta há cerca de 400 milhões de anos, antes mesmo da existência dos dinossauros.

Outra descoberta é o verme simbiótico Vida em um castelo de vidro (Dalhousiella yabukii), encontrado na cadeia de montanhas submarinas Shichiyo, no Japão, a 791 metros de profundidade. Este poliqueta habita as complexas câmaras de uma esponja de vidro, cujo esqueleto é feito de sílica cristalina.

Uma fita-verme (Drepanophoridae sp1) encontrada em Timor-Leste, entre 1 e 5 metros de profundidade, exibe coloração impressionante que pode servir como aviso visual para predadores, indicando suas potentes defesas químicas. Alguns desses venenos únicos estão sendo investigados como possíveis tratamentos para Alzheimer e esquizofrenia.

Uma nova espécie de camarão do Mediterrâneo (Caridion sp. 1), encontrada em uma caverna marinha perto de Marselha, França, prova que descobertas marinhas significativas ainda estão sendo feitas nas próprias costas da Europa. O camarão, definido por suas faixas laranja vívidas, foi identificado pelo taxonomista Dr. Hossein Ashrafi.

Historicamente, o tempo médio entre a descoberta inicial de uma espécie e sua descrição formal na literatura científica é de 13,5 anos, significando que muitas espécies correm risco de extinção antes mesmo de serem catalogadas. Para resolver esse problema, o Ocean Census e colaboradores reconhecem descoberto como um status científico formal.

Essa abordagem utiliza a plataforma digital NOVA, que pode tornar os dados coletados disponíveis em poucos dias através de uma sistemática e aberta abordagem. A plataforma utiliza dados compilados de uma rede de mais de 1.400 taxonomistas e cientistas de 660 instituições em 85 países.

Os resultados da colaboração fornecem dados científicos vitais para o Tratado de Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional – também conhecido como BBNJ ou Tratado dos Mares High Seas – o acordo da ONU para proteger a vida marinha em águas internacionais. Eles também apoiam o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal.

Oliver Steeds, diretor do Ocean Census, destacou o contraste entre os gastos com exploração espacial e os investimentos na pesquisa marinha. Gastamos bilhões procurando vida em Marte ou indo no lado escuro da lua. Descobrir a maioria da vida em nosso próprio planeta – em nosso próprio oceano – custa uma fração disso, argumentou.

Após três anos de sucesso com os sistemas, redes e infraestrutura desenvolvidas, o Ocean Census agora busca US$ 100 milhões em capital para cumprir sua ambição de descobrir 100.000 novas espécies marinhas. A iniciativa representa uma aliança global comprometida em transformar a velocidade com que a vida marinha pode ser descoberta.


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