Pesquisadores descobrem método para gerar hidrogênio de rochas e armazenar CO2

Tubulações e chaminés de uma instalação industrial em paisagem rochosa. (Foto: newscientist.com)

Cientistas da Universidade do Texas em Austin desenvolveram um método revolucionário para gerar hidrogênio a partir de rochas subterrâneas enquanto simultaneamente armazenam dióxido de carbono nelas. A descoberta representa um avanço significativo na busca por fontes de energia limpa e soluções para o aquecimento global.

A pesquisa liderada por Orsolya Gelencsér demonstra que é possível injetar água com CO2 em certos tipos de rochas ricas em ferro, como as vulcânicas, para acelerar a produção de hidrogênio através de um processo chamado serpentinitação. O CO2 reage com as rochas e é armazenado na forma de carbonatos, enquanto a água reage com os minerais para liberar hidrogênio.

O hidrogênio queimado produz apenas água, não causando aquecimento global, e pode desempenhar papel crucial na descarbonização de processos industriais como produção de fertilizantes e aço. Atualmente, quase todo o hidrogênio é produzido a partir de combustíveis fósseis, liberando grandes quantidades de CO2 durante sua fabricação.

Uma alternativa é produzir hidrogênio através da eletrólise da água usando energia solar ou eólica, mas esse método ainda é mais caro e exigiria enormes quantidades de energia renovável, reduzindo a disponibilidade dessas fontes para outros fins.

A equipe realizou testes em laboratório simulando condições de profundidade, com pressão de 1,2 a 1,7 megapascais e temperatura de 90°C. Os resultados mostraram que a água com CO2 liberou mais hidrogênio do que a água com gás argônio, provavelmente porque o CO2 forma ácido carbônico que dissolve parte da rocha, permitindo mais água reagir.

Os pesquisadores conseguiram extrair cerca de 0,5% do hidrogênio teoricamente possível das rochas, e acreditam que precisam atingir 1% para tornar o processo economicamente viável. Barbara Sherwood Lollar, da Universidade de Toronto, qualificou o trabalho como bom e destacou o crescente interesse em métodos que combinam produção geológica estimulada de hidrogênio com mineralização de CO2.

A tecnologia poderia gerar quantidades de hidrogênio muito super às atuais, que somam 100 milhões de toneladas anualmente. Além disso, a possibilidade de gerar receita adicional ao cobrar pelo armazenamento de CO2, como já faz a empresa Carbfix na Islândia, tornaria os projetos mais atraentes para investidores.

Gelencsér sugere que ir para maiores profundidades, onde as temperaturas são mais altas, poderia aumentar a eficiência do processo e permitir a exploração de energia geotérmica simultaneamente. A pesquisa foi apresentada na reunião da União Europeia de Ciências da Terra em Viena e publicada no DOI: 10.5194/egusphere-egu26-15365.

Aliaksei Patonia, da Universidade de Oxford, observou que várias empresas e startups estão explorando variações desse conceito. Sherwood Lollar defende que devemos explorar tanto os pequenos depósitos de hidrogênio natural já conhecidos quanto a produção estimulada, afirmando que não existe bala de prata e que todas essas abordagens podem contribuir para a transição energética.

A descoberta representa um avanço significativo na busca por soluções de energia limpa e combate ao aquecimento global, combinando produção sustentável de hidrogênio com captura e armazenamento de carbono de forma eficiente.

Fonte: New Scientist


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.