A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, a NOAA, emitiu um alerta sobre o potencial impacto do fenômeno climático El Niño que deve emergir este verão. Segundo a agência federal responsável pelo monitoramento climático, o padrão climático pode trazer inundações frequentes e generalizadas mesmo na ausência de tempestades.
As condições que alimentam essa ameaça são duplas e vêm se formando há anos, de acordo com a NOAA. O primeiro golpe é o aumento do nível do mar ao longo de décadas, que deixou as águas próximas à borda em muitas comunidades costeiras.
William Sweet, oceanógrafo da NOAA, explicou que o fenômeno costuma ser um ‘golpe duplo’. O primeiro impacto é o aumento do nível do mar que já colocou as águas próximas à capacidade em muitas comunidades costeiras. O segundo golpe é o El Niño forte, que pode causar inundações de maré alta mais frequentes, profundas e generalizadas ao longo das costas leste e oeste dos EUA.
Sweet é especialista em ‘inundações de maré alta’, uma situação cada vez mais comum que torna as regiões costeiras mais propensas à inundação devido ao aumento do nível do mar.
O El Niño é um componente do Ciclo Oscilação Sul (ENSO), um fenômeno atmosférico que resulta em padrões climáticos alternados que mudam a cada dois a sete anos, segundo a NOAA. O ciclo atual está em sua fase neutra, após transicionar da fase mais fria, La Niña, no início deste ano.
Meteorologistas previram que o El Niño, a fase mais quente do ENSO, deve emergir em breve. O Centro de Previsão Climática da NOAA disse na semana passada que há pelo menos 82% de chance de que ele chegue até julho e continue até fevereiro no Hemisfério Norte.
O El Niño também causa o enfraquecimento dos ventos alísios no Oceano Pacífico tropical, desencadeando uma cadeia de eventos que aquecem o oceano e elevam o nível do mar nas Américas, tipicamente por vários meses, segundo a NOAA. Durante essa fase do ciclo, a costa oeste dos EUA pode sofrer marés altas e ondas fortes, enquanto a costa atlântica pode experimentar mais maré de tempestade e as costas sudeste e do Golfo podem receber chuvas excessivas.
Cientistas ainda estão trabalhando para determinar a intensidade do próximo El Niño. Sweet disse que os El Niños que prevaleceram de 2015 a 2016 e de 2023 a 2024 foram particularmente fortes e resultaram em aumento das inundações de maré alta em comparação com anos anteriores, algo que a NOAA vem monitorando e tentando entender melhor.
A NOAA incentivou comunidades ao longo de qualquer costa dos EUA a ficarem informadas usando o painel de inundação costeira da agência, que é atualizado com níveis de água atuais e previsões. A agência revelou uma pesquisa sobre o fenômeno climático.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.