O setor da saúde, se fosse um país, seria o quinto maior emissor de carbono do planeta, ficando entre a União Europeia e a Federação Russa, com emissões superiores às de aviação e navegação combinadas. Essa realidade impulsionou o lançamento da plataforma The Lancet MedZero, apresentada na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, que visa fornecer dados abrangentes sobre o carbono de cada produto utilizado na área da saúde.
Desenvolvida por um consórcio acadêmico internacional e concebida por profissionais de saúde para profissionais de saúde, a plataforma oferece análises de carbono em todo o espectro do setor, desde farmacêuticos e instrumentos cirúrgicos até exames de raio-X e testes de sangue. Com mais de 14.000 registros no lançamento, a ferramenta foi projetada para informar decisões em todos os níveis do sistema de saúde, com o objetivo de ajudar hospitais e clínicas a economizar dinheiro, reduzir desperdícios, melhorar o atendimento ao paciente e combater as mudanças climáticas.
Um exemplo prático é o caso de um formulador de políticas de saúde do Reino Unido, que pode identificar que a simples troca da incineração poluidora para o reciclagem evitaria mais de 311.000 toneladas métricas de CO2e, equivalentes a retirar 212.000 carros britânicos das estradas, economizando 76 milhões de libras esterlinas anualmente. Já um diretor hospitalar em Singapura pode verificar que a transição para aventais cirúrgicos reutilizáveis reduziria as emissões de CO2e em 4.407 toneladas métricas, equivalentes ao consumo anual de eletricidade de 3.159 residências HDB em Singapura, economizando cerca de 700.000 dólares de Cingapura por ano.
O lançamento da plataforma na Assembleia Mundial da Saúde reuniu o editor-chefe da The Lancet, o ministro da Saúde das Filipinas, o secretário médico internacional do Médicos Sem Fronteiras, o oficial de sustentabilidade principal do NHS do Reino Unido e o secretário permanente do Ministério da Saúde Pública da Tailândia. Segundo o Dr. Richard Horton, editor-chefe da The Lancet, a crise climática é uma crise de saúde, mas a ação climática depende de dados confiáveis. A plataforma planeja criar uma infraestrutura global compartilhada de conhecimento sobre a pegada de carbono dos sistemas de saúde, pois a medição é a base da responsabilidade, e a responsabilidade é a motivação para a ação.
Até agora, os dados sobre emissões de carbono no setor da saúde estavam fragmentados e inacessíveis. Mais de 100 países, cobrindo mais da metade da população mundial, se comprometeram a enfrentar as mudanças climáticas por meio de uma Aliança da OMS para Ação Transformadora sobre Clima e Saúde. Para que esses compromissos se transformem em ação, os sistemas de saúde precisam de dados transparentes e confiáveis para tomar decisões baseadas em evidências.
Um cirurgião redesenhando um caminho de atendimento, um farmacêutico reposicionando o estoque de um hospital, um líder de compras renegociando contratos de fornecimento e um ministro da saúde definindo estratégia nacional: todos precisam de dados de carbono no nível do produto, de forma rápida e confiável. A plataforma The Lancet MedZero foi construída para atender a essa necessidade fundamental, conforme destacado pelo portal phys.org.
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