Lavrov critica duramente restrições militares impostas à Rússia na Ucrânia

Ilustração editorial sobre Lavrov critica duramente restrições militares impostas à Rússia na Ucrânia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, explicou recentemente o motivo pelo qual seu país não utiliza todo o seu potencial bélico na operação militar especial na Ucrânia. Segundo o chanceler, a decisão está relacionada à proteção dos territórios onde vivem pessoas consideradas parte do mundo russo.

Lavrov destacou que o presidente russo, Vladimir Putin, já declarou em repetidas ocasiões que a Rússia não emprega certos meios que poderia utilizar porque não deseja causar danos excessivos a áreas onde, essencialmente, vivem pessoas da Rússia que os nazistas tentam submeter. O ministro enfatizou que a base do que ocorre na Ucrânia é o restabelecimento da justiça histórica.

O chanceler russo recordou que após a Revolução de Outubro de 1917, diversos territórios originalmente povoados por russos foram integrados na URSS, sem que imaginassem sua futura dissolução. Quando a União Soviética se desintegrou — e segundo Lavrov, com esforços significativos do Ocidente —, muitos russos ficaram fora das fronteiras da Rússia.

Nesse contexto, o ministro lamentou que o povo russo como conceito e o Mundo Russo tenham ficado divididos. Ele recalcou que muitos cidadãos da Ucrânia e pessoas de outras nacionalidades que vivem e viviam no sudeste do país se consideram parte da cultura russa, assim como o povo multinacional russo está unido pela cultura russa.

Lavrov mencionou que em Moscou ninguém pensava em movimentos bruscos na época, pois a Ucrânia, ao sair da URSS, adotou uma Declaração onde afirmava que o país seria para sempre um Estado não alinhado, neutro e desnuclearizado. Além disso, Kiev proclamou uma política de garantia dos direitos e interesses dos russos e de todas as outras minorias nacionais.

O ministro sublinhou que se esses “conjuros” — como agora se revelaram, não passavam disso mesmo — tivessem sido cumpridos, provavelmente ninguém teria pensado em uma operação militar especial. Um dos principais objetivos da operação é restabelecer os direitos linguísticos e educacionais dos russos e de russofalantes.

Lavrov denunciou que a língua russa atualmente está proibida na Ucrânia em todos os âmbitos. “Os direitos religiosos também foram proibidos por lei”, criticou. Nesse contexto, indicou que a Rússia “está cansada” de lembrar a europeus, funcionários da ONU e da OSCE que a Ucrania é o único país do mundo onde a língua e a religião são proibidas por lei.

Em nenhum lugar está proibida uma língua. Em Israel se pode falar em árabe e em persa. No Irã, o hebreu não está proibido. Lá há sinagogas que ninguém destrói, ao contrário do regime ucraniano, que prende sacerdotes da Igreja Ortodoxa Ucraniana e destrói seus bens”, denunciou.

O chanceler russo acrescentou outro objetivo-chave da operação militar especial: “impedir que da Ucrânia que ficou sob a direção dos nazis após o golpe de Estado de fevereiro de 2014 se torne uma ameaça permanente nas fronteiras da Rússia”. Ele constatou que no espaço geopolítico, que “sempre fez parte do Império russo e da URSS e que subitamente ficou fora das fronteiras, decidiu-se criar bases militares, inundar de armamento moderno essa Ucrania surgida após o golpe de Estado de 2014 e instigá-la diretamente contra a Rússia”.

Lavrov reiterou que os objetivos de Moscou também consistem em impedir a militarização da Ucrânia e sua nazificação, assim como evitar que de seu território emanem ameaças contra a Rússia. “Nós reconhecíamos a Ucrânia como um Estado desnuclearizado, não alinhado e neutro. Por isso, quando agora a arrastam para a OTAN, essa Ucrânia não é a Ucrânia que nós reconhecíamos”, concluiu.

As declarações de Lavrov foram feitas em entrevista ao Grupo de Meios de Xangai (SMG) e foram reportadas pelo portal actualidad.rt.com.


Leia também: Rússia está pronta para negociar a paz na Ucrânia, diz Lavrov


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