A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) alertou que um tsunami no Mar Mediterrâneo é inevitável nos próximos anos, representando uma ameaça para a costa da Riviera Francesa. Segundo a agência, a probabilidade de um tsunami de pelo menos um metro de altura atingir o Mediterrâneo nos próximos 30 anos é de 100%. A informação foi divulgada pelo portal ScienceDaily.
O Mediterrâneo é a bacia com o segundo maior número de tsunamis registrados historicamente, ficando atrás apenas do Oceano Pacífico. Estudos recentes mostram que ondas destrutivas já atingiram a costa francesa e podem ocorrer novamente com pouco aviso prévio. Em alguns cenários, as primeiras ondas podem chegar às praias em menos de dez minutos.
Os tsunamis no Mediterrâneo podem ser causados por terremotos, deslizamentos submarinos ou erupções vulcânicas. Desde 1970, esses desastres naturais já causaram a morte de mais de 250.000 pessoas em todo o mundo. Um exemplo foi o terremoto de Boumerdès, na Argélia, em 21 de maio de 2003, que causou estragos ao longo de toda a costa francesa do Mediterrâneo.
A França possui um sistema nacional de alerta de tsunami desde 2012, o Cenalt, que detecta terremotos potencialmente geradores de tsunami e transmite alertas em menos de quinze minutos. No entanto, esse sistema só é eficaz para tsunamis causados por terremotos distantes, sendo pouco útil para deslizamentos submarinos ou terremotos próximos à costa.
A região de Nice-Côte d’Azur é particularmente vulnerável devido à densa urbanização, forte apelo turístico e praias movimentadas. Cientistas da Universidade de Montpellier desenvolveram um plano de evacuação otimizado, identificando quase cem locais de refúgio e rotas de fuga mais rápidas. A estratégia está alinhada ao programa internacional da UNESCO “Tsunami Ready”, que certifica territórios capazes de antecipar e responder eficazmente a esse risco.
Além do sistema de alerta, autoridades francesas implementam medidas de conscientização da população, incluindo exercícios de evacuação, especialmente em escolas, e plataformas de informação interativa que mostram zonas de evacuação e rotas seguras. Essas iniciativas visam criar uma cultura de preparação para o risco de tsunami entre as comunidades costeiras.
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