Datafolha confirma virada: Lula abre 9 pontos no 1º turno e caso Dark Horse derruba Flávio

A primeira pesquisa Datafolha feita integralmente após o caso Dark Horse confirma uma mudança importante no tabuleiro de 2026: Lula ampliou vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 42% das intenções de voto, contra 33% do senador do PL. A distância entre os dois subiu para 9 pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada em 16 de maio, Lula tinha 38% e Flávio, 35%, uma diferença de apenas 3 pontos.

O dado mostra que o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, já entrou na disputa presidencial. Flávio vinha tentando se consolidar como herdeiro eleitoral de Jair Bolsonaro, mas a revelação de áudios, mensagens e tratativas para financiar o filme Dark Horse atingiu sua candidatura no ponto mais sensível: confiança pública.

No segundo turno, Lula também passou à frente. O petista aparece com 47%, contra 43% de Flávio. Na pesquisa anterior, os dois estavam empatados em 45%. Ou seja, em poucos dias, Lula ganhou dois pontos, enquanto Flávio perdeu dois, invertendo o cenário de equilíbrio que vinha alimentando a narrativa bolsonarista de competitividade nacional.

A mudança é ainda mais relevante porque o levantamento anterior tinha sido realizado em grande parte antes de o caso Dark Horse explodir completamente. A própria Folha registrou que a nova rodada é a primeira do Datafolha feita integralmente depois das revelações sobre o pedido de dinheiro de Flávio a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

O caso ganhou força depois que vieram à tona conversas entre Flávio e o ex-banqueiro. Segundo a Folha, o desgaste foi agravado pela revelação de que o senador se encontrou pessoalmente com Vorcaro quando ele já usava tornozeleira eletrônica. A crise também levou a pré-campanha de Flávio a trocar o marqueteiro Marcello Lopes.

A queda de Flávio não aparece isolada. Ela acompanha uma sequência de pesquisas que já indicavam deterioração da candidatura bolsonarista após o escândalo. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio em um eventual segundo turno, revertendo um cenário anterior de empate técnico.

A Futura/Apex também captou movimento semelhante. Em pesquisa divulgada nesta sexta-feira, Lula apareceu com 47,7% no segundo turno, contra 42,2% de Flávio. O senador caiu 4,7 pontos em relação à rodada anterior, quando tinha 46,9%.

O Datafolha, portanto, reforça uma tendência: o caso Vorcaro deixou de ser apenas uma crise de bastidor e passou a produzir efeito eleitoral mensurável. Flávio não está apenas sendo criticado. Ele está perdendo intenção de voto.

A dimensão política do desgaste fica mais clara porque Flávio era, até aqui, o nome mais competitivo do bolsonarismo contra Lula. A candidatura do senador nasceu da tentativa de Jair Bolsonaro de manter o controle da direita mesmo impedido de disputar. A Associated Press registrou que Flávio anunciou a candidatura após ser escolhido pelo pai como sucessor político do movimento bolsonarista.

Agora, essa estratégia entra em zona de risco. O sobrenome Bolsonaro ainda garante base fiel, mas também carrega rejeição, crises familiares e a associação com um escândalo financeiro de alto impacto.

A Reuters já havia registrado que o mercado reagiu às revelações envolvendo Flávio e Vorcaro, com queda do real e do Ibovespa, em meio à percepção de que o episódio poderia alterar a corrida presidencial. O caso deixou de ser apenas político e passou a ser visto também como variável econômica e eleitoral.

O problema para Flávio é que a crise combina quatro elementos explosivos: dinheiro, banco investigado, filme político e contradição pública. O senador afirma que buscava patrocínio privado para uma produção privada sobre o pai e nega irregularidades. Mas a narrativa pública se tornou difícil de controlar.

A Folha também registrou que a crise provocou críticas dentro do próprio campo da direita. Romeu Zema classificou a situação como “imperdoável”, enquanto Ronaldo Caiado afirmou que “a pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência”, sem citar diretamente Flávio.

Esse é o sinal mais perigoso para o bolsonarismo. Quando adversários de esquerda criticam Flávio, a base tende a reagir em defesa. Mas quando nomes da própria direita passam a explorar o desgaste, a crise deixa de ser externa e vira disputa interna por espaço.

Para Lula, o novo Datafolha traz uma vantagem objetiva. O presidente aparece 9 pontos à frente no primeiro turno e 4 pontos à frente no segundo. Ainda não é uma eleição resolvida, mas é uma mudança clara de ambiente em relação ao empate anterior.

Para Flávio, o levantamento é um alerta severo. O senador entrou na crise como candidato competitivo e sai da primeira rodada pós-Dark Horse atrás de Lula nos dois turnos. A candidatura que tentava herdar o bolsonarismo agora precisa explicar sua relação com Daniel Vorcaro antes mesmo de apresentar um projeto para o país.

O caso também pode reorganizar a direita. Se Flávio continuar caindo, setores conservadores podem voltar a pressionar por outro nome, como Zema, Caiado, Tarcísio de Freitas ou Michelle Bolsonaro. O problema é que nenhum deles, até agora, conseguiu unir a base bolsonarista com a mesma força do sobrenome Bolsonaro.

O Datafolha mostra que o escândalo rompeu a fase de aquecimento da eleição. A disputa de 2026 entrou em um novo momento, no qual Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas o herdeiro político do pai e passou a ser um candidato ferido por uma crise própria.

A mensagem da pesquisa é direta: Lula cresceu, Flávio caiu, e o caso Dark Horse já virou fator eleitoral. Em uma campanha que promete ser decidida por confiança, rejeição e economia, o senador começa a descobrir que uma candidatura presidencial pode perder força antes mesmo da largada oficial.

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