Várias pesquisas eleitorais divulgadas nesta semana estão convergindo para um cenário de franca e consistente melhora nas intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os ventos parecem ter mudado de direção de forma avassaladora, deixando a oposição bolsonarista em estado de alerta máximo.
O primeiro grande golpe veio do tradicional Datafolha divulgado nesta sexta-feira (22 de maio de 2026). Trata-se do primeiro levantamento realizado integralmente após o escândalo dos áudios vazados envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — o já célebre caso “Dark Horse”. E o impacto nas urnas foi imediato. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula abriu uma confortável vantagem de 9 pontos percentuais, registrando 40% das intenções de voto contra apenas 31% do primogênito de Jair Bolsonaro. Nos cenários de segundo turno, a diferença também se consolidou: Lula tem 47% contra 43% de Flávio. Se o bolsonarismo tentar a cartada de substituir Flávio por Michelle Bolsonaro, o buraco é ainda mais embaixo: Lula abre uma vantagem esmagadora de 20 pontos percentuais.
E para quem achava que o Datafolha era um ponto fora da curva, a nova pesquisa Futura/Apex, divulgada também nesta semana, veio coroar a tendência de convergência positiva para o petista. No principal cenário de primeiro turno da Futura, Lula aparece com 43% das intenções de voto contra 36% de Flávio Bolsonaro — uma sólida vantagem de 7 pontos, acima da margem de erro do levantamento (de 2,2 pontos).
A trajetória é ascendente no segundo turno simulado pela Futura/Apex: Lula cresceu de 44,4% para 47,7% no duelo direto, enquanto Flávio recuou de 46,9% para 42,2%, abrindo uma vantagem de 5,5 pontos percentuais. Em apenas duas semanas, o deslocamento líquido foi de 8 pontos percentuais a favor do presidente.
Mas o dado mais avassalador da Futura/Apex surge nos votos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos): Lula alcança aproximadamente 52% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Um resultado que liquidaria a fatura presidencial ainda no primeiro turno caso essa distribuição se mantivesse!
Parece que o “Dark Horse” galopou direto para o pântano. Flávio Bolsonaro, que vinha ensaiando um crescimento robusto no primeiro trimestre do ano apoiado no tradicional discurso moralista de rede social, viu o chão sumir sob os cascos após as revelações de suas proximidades financeiras nada “espartanas”. Descobriu-se que, além de “Deus, Pátria e Família”, a receita do sucesso também contava com generosas mesadas e hotéis de altíssimo luxo pagos por banqueiros camaradas. A mamata, antes considerada extinta, foi apenas privatizada com eficiência exemplar. A reação do eleitorado foi proporcional à hipocrisia revelada.
Nos cenários alternativos da Futura/Apex, o favoritismo de Lula se mantém inabalável. Sem Flávio Bolsonaro na disputa, Lula registra 39%, seguido por Romeu Zema (13,3%) e Ronaldo Caiado (13,1%) empatados na vice-liderança técnica. No voto espontâneo (aquele em que o eleitor diz o nome sem ver a lista), Lula disparou para 38% (crescimento notável desde os 29% registrados em fevereiro), enquanto Flávio Bolsonaro oscilou para baixo, fixando-se em 25%.
O Nordeste, eleitores mais velhos e de menor renda continuam sendo a fortaleza eleitoral de Lula, onde ele ultrapassa os 50% com facilidade. Flávio, por sua vez, resiste entre o eleitorado masculino, evangélicos e nas faixas de maior renda.
A pesquisa Futura/Apex ouviu 2.000 eleitores brasileiros entre os dias 15 e 20 de maio de 2026, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número BR-06529/2026. Já o Datafolha ouviu 2.004 eleitores, com margem de erro de 2 pontos. Ambas as pesquisas apontam na mesma direção: a maré mudou, e Lula caminha a passos largos rumo à reeleição.