Estudo revela que seagrass produz novos indivíduos genéticos, trazendo esperança para pradarias subaquáticas

Uma planta de erva marinha com suas raízes expostas na areia. (Foto: phys.org)

Estudo recente revelou que a seagrass produz novos indivíduos geneticamente diversos em vez de se clonar, oferecendo esperança para a conservação das pradarias subaquáticas. A pesquisa publicada na revista Frontiers in Conservation Science mostra que essas plantas se reproduzem sexualmente, gerando plântulas geneticamente diversas que se dispersam pelas correntes oceânicas para formar novas pradarias.

Segundo a professora Jennifer Verduin da Universidade Murdoch, principal autora do estudo, as pradarias de seagrass funcionam como jardins subaquáticos que realizam um trabalho silencioso mas crucial. Elas fornecem habitat e abrigo para muitos tipos de criaturas como peixes e invertebrados, servem de alimento para dugongos e tartarugas, produzem oxigênio, ajudam a manter a água mais clara ao reter sedimentos e armazenam carbono em seus sedimentos.

Os cientistas investigaram a reprodução da Amphibolis antarctica, uma espécie de seagrass vivípara que “dá à luz” plântulas em vez de liberar sementes. Eles coletaram 200 brotos masculinos e femininos em duas pradarias diferentes na costa da Austrália Ocidental e realizaram experimentos em tanques de água do mar para observar o processo reprodutivo.

A equipe descobriu que apenas os brotos femininos alojados junto com brotos masculinos começaram a formar plântulas. Os brotos femininos no tanque sem plantas masculinas cresceram normalmente mas não desenvolveram plântulas. Nas pradarias oceânicas, todas as flores masculinas haviam liberado seu pólen 60 dias após a primeira liberação, e 50 dias depois os cientistas observaram os primeiros sinais de formação de plântulas.

Os pesquisadores verificaram que cerca de 70% das flores femininas formaram novas plântulas por meio de reprodução sexual, não clonagem. Eles observaram o pólen pousando nas flores femininas, e usando testes de microscopia em flores coletadas no campo, viram tubos polínicos crescendo em direção ao ovário e embriões se desenvolvendo.

Essa descoberta oferece uma oportunidade de conservação e um alerta. As plântulas podem ser coletadas sem danificar a pradaria original para formar novas pradarias ou rejuvenescer as que estão em dificuldades, mas também mostra que depender excessivamente de plantas de áreas específicas pode deixar as pradarias replantadas com pouca diversidade genética e vulneráveis.

Esta informação pode ser usada para projetar melhores estratégias de restauração, garantindo que os projetos não dependam de uma única área local e protegendo as condições que permitem floração, polinização e liberação de plântulas, conforme destacado no portal phys.org.


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