Reportagem do G1, baseada em relatos de aliados, aponta que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é visto como um ativo tóxico para a própria base bolsonarista. O dado é relevante, mas a pergunta política é mais ampla: como a crise em torno do caso Daniel Vorcaro está minando a coesão e o futuro eleitoral do campo conservador?
O desgaste provocado pela associação com o banqueiro Daniel Vorcaro não afeta apenas o núcleo duro do bolsonarismo, mas também setores cruciais do campo conservador, como mercado financeiro, agronegócio, evangélicos e classe política. Nos bastidores, interlocutores do campo conservador avaliam Flávio Bolsonaro como um ativo tóxico para as campanhas locais e nacionais.
No mercado financeiro, a situação é particularmente delicada. Empresários e banqueiros relatam resistência até mesmo a reuniões reservadas com Flávio Bolsonaro. O senador tenta construir uma nova narrativa econômica, mas encontra dificuldades para encontrar nomes que sinalizem renovação. Figuras próximas ao governo Bolsonaro, como Gustavo Montezano, ex-BNDES, e Adolfo Sachsida, ex-ministro, são vistas como insuficientes para gerar confiança adicional no mercado.
No segmento evangélico, a movimentação em torno de Michelle Bolsonaro também é observada com atenção. Lideranças religiosas mais próximas da ex-primeira-dama avaliam que ela preservou capital político próprio, alimentando conversas sobre uma eventual composição de direita em que Michelle pudesse ocupar uma vice-presidência. No entanto, o impasse permanece em torno de quem lideraria esse projeto.
No agronegócio, o ambiente é de cautela crescente. Embora o setor siga majoritariamente alinhado ao campo conservador, empresários do agro passaram a demonstrar incômodo com o desgaste político e jurídico em torno do entorno bolsonarista.
Reservadamente, aliados resumem o momento da seguinte forma: a principal crise de Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas externa e passou a atingir o coração da própria base de sustentação política. A crise não é mais um problema isolado, mas uma ameaça real à coesão e ao futuro eleitoral do campo conservador.
Segundo reportagem do G1, o desafio de Flávio Bolsonaro é ampliar o alcance político para além do núcleo duro do bolsonarismo, mas a crise atual está justamente minando os pilares que sustentam esse grupo político. O temor é que a crise em torno do caso Vorcaro possa contaminar candidaturas em todo o país, dificultando alianças estratégicas para 2026.
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