Academias do G7 cobram painel global para evitar colapso do ambiente espacial

Rastros de uma aeronave ou foguete riscam o céu noturno estrelado. (Foto: phys.org)

As academias de ciências dos países-membros do G7 divulgaram uma declaração conjunta alertando para a urgência de uma governança internacional do espaço diante da explosão de megaconstelações de satélites. O documento, direcionado à cúpula de líderes do grupo que ocorrerá entre 15 e 17 de junho em Kananaskis, no Canadá, propõe a criação de um painel intergovernamental de sustentabilidade espacial nos moldes do IPCC.

O número de satélites ativos em órbita baixa saltou de cerca de 2.000 há uma década para quase 20.000 atualmente, com planos anunciados de até um milhão de novos artefatos. Essa expansão promete internet de banda larga quase universal, mas carrega riscos ainda pouco compreendidos, como a contaminação do céu noturno, a perturbação da astronomia, o crescimento do lixo espacial e os efeitos atmosféricos da reentrada de satélites.

A compreensão atual do impacto humano no ambiente espacial próximo à Terra é comparável ao estágio do conhecimento sobre mudanças climáticas na década de 1990. Sabemos que a atividade humana está provocando grandes perturbações, mas ainda não está claro se um ponto de inflexão se aproxima.

As academias recomendam que o novo painel, chamado Painel Intergovernamental de Sustentabilidade Espacial (IPSS), defina limites globais de sustentabilidade, a exemplo do teto de 1,5°C do clima, identificando a capacidade de carga de cada altitude orbital. Três grupos de trabalho cuidariam da ciência física do ambiente orbital, dos impactos ambientais e sociais das megaconstelações e das políticas de mitigação e descarte de satélites.

Cientistas também reconheceram recentemente que a taxa de lançamento de foguetes — hoje superior a um por dia — pode reverter a recuperação da camada de ozônio. Além disso, a queima de satélites na reentrada está alterando a composição da alta atmosfera em escala ainda não totalmente medida.

Atualmente, a governança espacial é fragmentada, com o Comitê Interagências de Coordenação de Detritos Espaciais e o Centro de Proteção do Céu Escuro e Silencioso da União Astronômica Internacional atuando em nichos específicos. Nenhum órgão oferece avaliação científica integrada para orientar decisões regulatórias, replicando a lacuna que existia no clima antes da criação do IPCC.

O painel incluiria ainda uma Força-Tarefa de Pegadas de Tráfego Espacial, encarregada de padronizar métricas para que os países relatem o fardo que seus objetos em órbita impõem à segurança e à sustentabilidade do ambiente espacial. A proposta prevê avaliação independente sobre tecnologias de descomissionamento e capacidade de rastreamento de satélites.

A criação de uma abordagem internacional coordenada agora, o IPSS ajudará a equilibrar a enorme promessa da atividade comercial no espaço com os riscos ambientais. É o mesmo papel que o IPCC desempenhou para o clima da Terra ao longo das últimas décadas.

Leia mais sobre o assunto na phys.org.


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